quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

[Autoria #01] Como se sentir infeliz como escritor


Oi, pessoal! Para quem não sabe, além de professora e blogueira, eu também sou escritora. É, até tive meu primeiro conto publicado em uma coletânea em outubro passado e mais dois estão à caminho. E, como escritora inciante - até diria "aspirante" ainda -, procuro sempre me aprimorar, conhecer novas estratégias e opiniões para tornar mais fácil, agradável e preciso essa processo de transformar ideias e palavras soltas em uma história coesa e interessante. Ano passado, enquanto pinnava mil e um artigos ao meu Painel do Pinterest, percebi como é mais fácil encontrar material de pesquisa em inglês do que em português. Foi aí que resolvi juntar dois projetos em um só: pedi autorização aos donos de alguns sites estrangeiros de dicas para autores para traduzi-los e postar alguns textos aqui, unindo minha vontade de ajudar meus amigos a aprimorar sua escrita e praticar minha habilidade de tradução, que não é das melhores - num certo momento da faculdade de Letras, me disseram pra não traduzir mais e obedeci; desde então ficar trocando de idiomas não é fácil para mim e por isso preciso praticar. Peço perdão desde agora para as possíveis traduções meia-boca que surgirem por aqui; prometo dar o meu melhor para fazer um trabalho bonito pra vocês, mas estou engatinhando nas traduções ainda.

Então, para inaugurar o AUTORIA - a coluna do The Nerd Bubble para escritores - trago um textinho curto, mas importante da escritora Ruthanne Reid, uma das pessoas super bacanas que autorizaram minhas traduções. Além de escrever esses textos incríveis para outros autores, ela escreve "sobre elfos, alienígenas, vampiros e viagem espacial" - e vocês podem encontrar o resultado dessa mistura aqui. Embora não tenha lido seus livros ainda, pinnei dezenas de artigos dela e foi assim que How to feel miserable as a writer se tornou o primeiro texto a ser traduzido - e porque se sentir um péssimo escritor é fácil pra caramba. (Tomei algumas liberdades como tradutora, mas o conteúdo é 100% da Reid. Tu podes ler o texto original aqui)


COMO SE SENTIR INFELIZ COMO ESCRITOR
Escrito por Ruthanne Reid e traduzido por Camila Villalba

Há muitas listas por aí sobre sucesso para escritores, sobre construir seu público e sobre escrever bem. Tudo isso é externo; meu foco hoje é interno: eu quero que você seja feliz como escritor.


Aquele Maldito e Ilusório Passarinho Azul

Você não será feliz o tempo todo, é claro. É difícil se alegrar quando a 50ª rejeição chega na caixa de entrada, mas estou falando sobre a sua atitude “normal” – como você se sente num dia comum enquanto pessoa que se identifica como “escritor”
A maioria de nós passa muito do nosso tempo sendo tudo, menos feliz. Não somos tão bem-sucedidos quanto queríamos, ou não ganhamos o NaNoWriMo ou estamos presos num capítulo que não previmos ou chegamos a um beco sem saída literário... Você pegou a ideia. 
Felicidade constante não é objetivo. Torná-la um hábito, sim.
Há muitos e muitos passos para atingir este objetivo, mas um é o mais importante de todos: pare de se comparar a outros escritores.
Não, estou falando sério. Você leu bem. Pare. 
Sim, você precisa ler outros escritores para lapidar suas habilidades. Isso não significa se comparar a eles. Pare.
Pare de se comparar a outros escritores.
Não importa se eles escrevem mais rápido.
Não importa se eles escrevem “melhor” (o que quer que isso signifique)
Não importa se eles ganham os concursos, ou recebem as glórias ou consegue o agente (ou editora) que você queria. Pare de se comparar a outros escritores.


O Gap Criativo

Falo muito sobre o gap criativo por aqui. Falo sobre isso porque estou nele e possivelmente você também. O gap é o motivo de você se comparar a outros escritores e acabar desapontado. 
Para aqueles que não podem assistir no YouTube agora, aqui está a transcrição:

Ninguém conta isso para os iniciantes; eu queria que alguém tivesse me contado. Todos nós que trabalhamos com criatividade entramos nisso porque nós temos bom gosto. Mas existe este gap.
Pelos primeiros anos você cria coisas, mas elas não são tão boas. Elas tentam ser boas, têm potencial, mas não são. Mas o seu bom gosto, aquilo que te colocou na jogada, ainda é incrível. E o seu bom gosto é o motivo para o seu trabalho te desapontar.
Muitas pessoas nunca superam essa fase, elas desistem antes disso. A maioria das pessoas que eu conheço que fazem um trabalho criativo interessante passaram por anos disso. Nós sabemos que nosso trabalho não tem aquela coisa especial que queremos que ele tenha. Todos nós passamos por isso. E se você está apenas começando ou ainda está nessa fase, você tem que saber que isso é normal e a coisa mais importante que você pode fazer é criar muito. 
Dê a você um prazo para que a cada semana você termine uma história, por exemplo. É só produzindo muito que você vai superar essa fase e o seu trabalho será tão bom quando as suas ambições. E eu levei muito mais tempo para perceber isso do que qualquer um que eu tenha conhecido. Vai demorar um tempo. É normal. Você só tem que lutar e seguir em frente.

Você sabe que o seu trabalho não está tão bom quanto você gostaria, e não tem problema nisso. Nós todos passamos por isso. De fato, é esse entendimento que o manterá produzindo, aprendendo e lapidando seu trabalho.
Mas se você comparar a si mesmo com outros escritores enquanto estiver nesse gap, você vai perder a hablidade de ver onde você está indo e ver apenas onde não está indo. Em outras palavras, você vai ficar tão desapontado com o seu trabalho que vai ficar infeliz. 
Há apenas uma solução. Só uma. Pare de se comparar a outros escritores.
A Hipócrita está falando!
Mais fácil falar do que fazer, eu sei. Eu caio nesta armadilha regularmente; me comparo aos amigos que começaram a escrever ao mesmo tempo que eu e têm mais reconhecimento, ou amigos que conseguiram o agente que eu queria ou amigos que escrevem muito mais rápido que eu (o que acontece com a maioria deles). E quando faço isso, não vejo mais nada além do gap, não vejo onde estou indo ou me sinto motivada a seguir adiante. Eu só fico infeliz.
Esta semana, vamos fazer um pacto. Eu vou parar de me comparar a outros escritores – e vocês também!
Você não está sozinho, companheiro (a) escritor (a)! Você pode fazer isso, não importa o quão difícil pareça. Esse é um passo que você pode – e deve – dar!

2 comentários:

  1. Ótimo texto, e boa tradução também! Adorei sua iniciativa, pois realmente, muitos textos interessantes sobre escrita estão em inglês, e não é todo mundo que tem acesso a eles.

    ResponderExcluir
  2. Ah! A tradução ficou boa, está fácil de entender e eu adorei o texto! Realmente, percebo que estou na fase comparativa o tempo todo. Sou atacada por todos os lados com informações de autores e é quase impossível não criar parâmetros. Agora percebo que é meio absurdo isso, pois eu mesma vivo repetindo às pessoas que os surdos não são todos iguais, então com autores é a mesma coisa. Parar de comparar, tornar a felicidade um hábito. Day by day!

    ResponderExcluir