segunda-feira, 26 de setembro de 2016

[Setembro Azul] Vamos falar de surdez?



Oi, pessoal! Hoje, dia 26 de setembro, é o Dia Nacional da Pessoa Surda e, neste data tão importante, vamos falar um pouco sobre Setembro Azul, surdez, deficiência auditiva e a comunidade surda. 
Para começar, vamos esclarecer algumas questões que nós, ouvintes, temos alguns problemas em entender (ou não sabemos mesmo). Admito que eu, antes de começar a estudar LIBRAS, não sabia de muitas coisas que parecem óbvias, mas nem nos damos conta por estarmos longe o suficiente dessa realidade para sequer pensar no assunto. 

1) Surdo-mudo é um conceito BEM errado. Normalmente, surdos e deficientes auditivos têm habilidade de fala e são capazes de gritar se estão com dor ou alegres, e podem - pasmem! - até mesmo falar um idioma. Minha professora de LIBRAS, por exemplo, nasceu surda e se comunica preferencialmente por LIBRAS, mas fala muito bem o português. Imaginem aqueles que ficaram surdos adultos, depois de passar anos tagarelando? 

2) Surdo e deficiente auditivo não são a mesma coisa. Pelo que minha professora nos apresentou já na primeira aula de LIBRAS, surdo é o termo usado para identificar alguém que nasce sem a capacidade de ouvir e faz parte da comunidade surda. Deficiente auditivo, por outro lado, é aquele que perde a audição - ou parte dela - em algum momento posterior. Mas essa não é a única forma de diferenciar surdos e deficientes auditivos. Neste trechinho retirado de um post do blog As 1001 Nuccias, da blogueira membro do BLU e escritora (e surda) Nuccia de Cicco, vocês podem ver uma outra classificação:
Definido no decreto federal 3.298, de dezembro de 1999, surdo é aquele indivíduo que apresenta perda auditiva de 26 a 91 decibéis ou total. Deficiente auditivo é um termo mais usado para definir surdos clinicamente, devido às variações no grau de perda auditiva (em alguns casos, até surdos totais se auto-intitulam assim) e também é o termo do politicamente correto.
Mas surdos, no geral, detestam ser chamados de deficientes auditivos. Beira o ofensivo, aliás, especialmente pela carga de preconceito que vem com a palavra deficiente. Há sempre quem acredite que aquele que não pode ouvir também não pode falar, aprender, fazer ou ser o que quiser, e o termo vem apenas frisar essas ideias errôneas. Como bem disse a Nuccia, ter uma deficiência é MUITO diferente de ser deficiente.


3) LIBRAS é uma língua e não linguagem. Confira o que diz a dona Wikipédia:
Assim como as diversas línguas naturais e humanas existentes, ela [LIBRAS] é composta por níveis linguísticos como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Da mesma forma que nas línguas orais-auditivas existem palavras, nas línguas de sinais também existem itens lexicais, que recebem o nome de sinais. A diferença é sua modalidade de articulação, a saber visual-espacial, ou cinésico-visual, para outros. Assim sendo, para se comunicar em LIBRAS, não basta apenas conhecer sinais. É necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases, estabelecendo comunicação.
E, só para constar, nem todo surdo/deficiente auditivo sabe LIBRAS. Isso, como tudo no mundo, não deve ser generalizado, mesmo que a comunidade surda use LIBRAS como idioma oficial. 

4) Nem todo surdo faz parte da comunidade surda. Essa é a parte mais estranha pra mim, mas também faz sentido. Citando mais uma vez a querida Nuccia:
Comunidade surda = grupo de pessoas (surdos e ouvintes) que se identificam de forma cultural. Apresentam língua (não é linguagem!!!! Saiba mais AQUI) própria, datas comemorativas, história particular dentro do país onde vivem. Todos os surdos fazem parte da comunidade? NÃO! Só tem surdos dentro da comunidade surda? NÃO!

Certo, agora vamos ao Setembro Azul, sobre o qual comentei antes. A Nuccia, no post dela, explica em muitos detalhes as datas que compõe este mês marcado por dias importantes para todos surdos e comunidade surda. Eu vou me limitar a listá-los aqui (para que este post não fique gigante!):
  • 10 de setembro: Dia Internacional da Língua de Sinais
  • 21 de setembro: Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência.
  • 26 de setembro: Dia Nacional do Surdo
  • 30 de setembro: Dia Internacional dos Surdos
"Por que azul?", vocês devem estar se perguntando. Bom, essa cor foi usada pelos nazistas para identificar os portadores de deficiência, que eram obrigados a usar uma faixa dessa cor. No XIII Congresso Mundial de Surdos, o Dr. Paddy Ladd usou uma fita nessa cor para lembra e homenagear as vítimas surdas da Segunda Guerra Mundial. 

Durante todo esse mês, há seminários, palestras, protestos e movimentação dentro e fora da comunidade surda para que os direitos dos surdos sejam assegurados, informando sobre as leis já existentes e lutando para que novas sejam conquistadas. 

Eu não sou surda e nem parte da comunidade surda. Estou aprendendo LIBRAS por motivos pessoais e profissionais e, através desse contato recente, já pude notar o quanto esse pessoal precisa lutar para conseguir a atenção que merecem, os direitos que merecem

Afinal: ser surdo é ser diferente, não deficiente, não incapaz. 

Para encerrar, vou deixar aqui alguns links importantes. Primeiro, para o post da Nuccia, essa diva querida que nos ajudou muito a montar esse especial Setembro Azul do BLU e que merece TODO sucesso do mundo. Sei que já tinha linkado antes, mas não custa nada repetir, né? Além disso, deixo esses dois posts SUPER informativos sobre a surdez. 
Segundo, sugiro também que confira o livro da Nuccia, sobre o qual vou falar melhor num outro post, mas vocês já podem dar uma olhadinha no Pérolas da Minha Surdez no Skoob ou na página do Facebook. É desse livro as quotes lá do começo e eu estou louca pra ler!
Terceiro e não menos importante, visite o post da Carla Cardoso no DNA Literário, outro membro do BLU que está participando desse especial. Além das informações relevantes, ela também tem algumas dicas de livros sobre surdez que me despertaram a curiosidade!

Agora deixo vocês com esse outro trechinho do post da Nuccia. Não esqueçam de comentar o que acharam desta postagem e compartilhar com os amigos! Até mais, pessoal!

Não somos coitadinhos. Temos casa, temos família, temos companheiros, filhos, estudos, empregos, faculdades, hobbies. Temos vida, como você.

Um comentário:

  1. Oi, Camila!
    Sua postagem ficou linda! Gostei muito que você frisou os pontos principais das dúvidas e erros que costumamos cometer (sim, eu me incluo, pois antes de me tornar surda, pensava assim também). Sobre nem todos os surdos fazerem parte da comunidade, explico: é uma questão de cultura e criação. Eu fui criada como uma ouvinte comum, fiquei surda na fase adulta. Minha língua preferencial é o português, apesar de também usar a Libras. Então, eu não faço parte da comunidade, mas tenho contato com vários dos surdos de lá. Muito obrigada pela indicação! E estou torcendo para que você possa ler meu livro! Beijão!!!

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