segunda-feira, 12 de setembro de 2016

[Resenha] O Castelo das Águias, Ana Lúcia Merege


Oi, pessoal! Hoje é dia de resenha! Sei que faz um tempinho que não posto nenhuma, mas agora devemos voltar a ter pelo menos duas por mês o/ 
O livro de hoje é um que estava louca para ler desde que conheci Ana Lúcia Merege através do Clube dos Autores de Fantasia porque parecia ser exatamente o tipo de Alta Fantasia que eu estava procurando: algo mais leve que Tolkien, mas igualmente marcante e interessante. Não são muitos livros que se encaixam nessa descrição, mas (na minha humilde opinião) este pode! Bom, vamos ao que interessa? Comecemos com a ficha técnica e a sinopse:



Título: O Castelo das Águias 
Autora: Ana Lúcia Merege
Editora: Draco
Edição: 1ª
Páginas: 192
Ano: 2011
ISBN-13: 9788562942204
Gênero: Fantasia, Alta Fantasia, YA
Livro #01 na série Athelgard
Skoob - Draco - Blog - Facebook - Goodreads - Amazon



O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.
Antes de prosseguir, vamos esclarecer que, apesar de muitos relacionarem as duas obras, a semelhança entre esta história e Harry Potter começa e termina na existência de uma escola em um castelo grande, onde se ensina jovens a lidar com magias (com alunos e professores, por consequência). Nem os sistemas de magia têm semelhanças. 
Agora que isso está dito, vamos falar da história. Tudo começa quando Anna, uma jovem Mestra de Sagas – alguém que lida com histórias, lendas e folclore, como uma guardiã da tradição oral –, deixa sua terra natal, Bryke, pela primeira vez para lecionar na grande Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn à convite do Mestre Camdell, o diretor. 
Lá, entre todas as novidades e maravilhas, há as águias douradas e seu guardião, Kieran. Essas águias, que dão nome ao Castelo, são tão especiais por terem a habilidade única de serem transformadas em verdadeiras armas por algum tempo e com o encantamento certo. Obviamente, isso muito interessa ao exército da região, que as usa em batalha quando possível – o que não é tão frequente quanto eles gostariam, já que elas precisam voltar aos arredores da escola depois de um período longe. O assunto da devolução (ou não) das águias vem sendo debatido há anos e é no meio de um novo "round" que Anna chega. Criada por uma tribo de elfos, a jovem vê nas águias seres belos e que não deveriam ser tratados como ferramentas em disputas bélicas. E é por esse ideal que ela acaba se metendo em confusão.
Anna no traço de Allana Dilene
Aliás, Anna é uma jovem bastante idealista quando chega ao Castelo das Águias; começa a ensinar seus alunos da maneira que lhe parece melhor (sem seguir o padrão de seu predecessor) e não se cala quando se sente injustiçada. Ela não é uma personagem kick-ass ou bad-ass – e nunca pretendeu sê-lo. Ela tem, sim, muita força de caráter e uma boa dose de coragem, o que faz dela uma personagem feminina tão respeitável quanto aquelas que salvam o dia e batem em seus inimigos (que eu adoro também). O que quero dizer é que Anna é uma contadora de histórias e porta-voz da História e da Cultura. É no mínimo lógico que ela use mais sua inteligência e palavras que seus dotes físicos. 
Ilustração de Angela Takagui
O romance, embora tenha seus clichês, é algo que eu particularmente gostei neste livro. Há alguns percalços, é claro, mas Anna sabe desde o começo de quem gosta e não faz muito pra esconder isso. Como a história é narrada em primeira pessoa por ela, não sabemos tanto sobre os sentimentos do Mestre das Águias, mas me parece que ele também não tinha muitas dúvidas. Um ponto interessante é que ele, por mais que seja um homem bonitão, tem praticamente o dobro da idade de Anna. Não formam um casal que se veja todos dias, especialmente mostrando uma relação sem abusos físicos ou psicológicos. 
Além de Anna, Kieran e as águias douradas, aparecem muitos outros personagens (como o odioso e irritante Hillias, na ilustração ao lado), mas nem todos têm um papel relevante na história. Elaboro: passam pelo leitor vários alunos, professores e cidadãos do lugar, porém poucos são melhor trabalhados ao longo do livro – o que faz um certo sentido, considerando que o livro tem apenas 192 páginas e não dá tempo para contar a história de todo mundo; talvez alguns personagens pudessem ter sido cortados desde o começo, mas realmente não acho tão condenável assim (tu lembras de todos os personagens citados em O Senhor dos Anéis ou Harry Potter? Não, tu sabes que não). 
A escrita é impecável, fluida e instigante, o que já é de se esperar em se tratando de Ana Lúcia Merege. Tenho pouco a falar sobre a revisão: ela foi muito bem feita, assim como a diagramação. Gosto bastante da capa, que é bem apropriada ao enredo e muito bonita, com cores que eu adoro. 
Sobre o enredo, a trama é bem trabalhada apesar de alguns clichês, deixando pontas soltas o suficiente para a continuação sem que o leitor fique frustrado com a conclusão, a qual encerra satisfatoriamente o conflito central da história. 
Em se tratando do worldbuilding, não posso deixar de elogiar a autora pelo mundo complexo e completo que é Athelgard, com povos e culturas diversificados. Conhecemos pouco dele, mas gosto muito do que vi até agora, especialmente dos elfos das Tribos; eles são tão diferentes do que vemos normalmente e, honestamente, acho isso o máximo. Mal posso esperar para conhecer mais sobre Athelgard em A Ilha dos Ossos, dessa vez pelo olhos de Kieran. 
Por fim, recomendo sem reservas O Castelo das Águias para todos que gostam de uma leitura rápida e cativante, de uma boa história de Alta Fantasia ou esteja pensando em se aventurar por este subgênero. 
Kieran no traço de Allana Dilene


Vamos à avaliação final?*

Escrita: 4,5
Enredo: 3,5
Personagens: 3,5
Worldbuilding: 5
Diagramação: 5
Revisão: 5
Capa: 4,5

Nota final da Cami: 4,5

E aí? O que acharam da resenha? Ficaram interessados? Já leram algum livro da Ana Lúcia Merege? Já leram a entrevista que ela deu pra coluna Conhecendo os Escritores Nacionais? Não esqueçam de deixar um comentário e contar tudo! E se quiserem conferir a resenha que fiz para o Indique um Livo de Anna e a Trilha Secreta, prequela dessa história, vocês podem encontrá-la aqui.


*Se quiser entender melhor como funciona o sistema de avaliação, clique aqui.


2 comentários:

  1. Nossa, eu já tinha ganhado o dia hoje por outras razões, então esta resenha me deixou com saldo para os próximos. Muito obrigada, Camila! Concordo com todos os pequenos defeitos que achou e posso garantir que nos dois outros livros eu sanei alguns desses problemas. Espero que leia a goste! Valeu mesmo!!

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  2. Tenho que ler esse livro! Conheço a escrita da Ana só por alguns contos, então tenho que ler algum romance dela.
    Gostei muito da sua resenha, parabéns!

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