sábado, 20 de fevereiro de 2016

REVIEW: Lobo de Rua, Jana P. Bianchi


Oi, pessoal! Estou devendo algumas resenhas dos livros que li no ano passado e minha tarefa do mês é colocar tudo em dia. Comecemos com a que estou devendo há mais tempo: Lobo de Rua, da autora parceira Jana P. Bianchi, que foi uma das minhas leituras favoritas de 2015. Aliás, foi por isso mesmo que demorei mais do que eu gostaria (muito mais) pra postar a resenha: queria escrever uma análise à altura de uma história tão bem escrita quanto essa. Sem mais enrolação, vamos falar de lobos!



Título: Lobo de Rua 
Autora: Jana P. Bianchi
Autopublicado
Edição: 1ª
Ano: 2015
ISBN: B00YOHKGWM
Gênero: Fantasia urbana
A Galeria Creta 0.5
Compre o e-book aqui e o livro físico diretamente com a autora, mandando um e-mail para o Minotauro.



Raul é um​ morador de rua​, um menino invisível ​como tantos outros. ​C​omo se sua desgraça​ não fosse suficiente, ​o garoto​​​ descobre-se portador da licantropia, maldição que o transforma em fera sempre que a lua cheia ocupa o céu. Tito Agnelli​ é um velho imigrante italiano.​ ​Ele ​não compartilha do abandono de Raul, mas conhece muito bem a sensação de ser rasgado por dentr​o ​pela coisa vil​ e selvagem​ que se abriga nele.​ ​ C​ompadecido com o sofrimento do recém-transformado, Tito ​​acolhe Raul ​e reabre a Alcateia de São Paulo, extinta até então por falta de ​lupinos residentes na Pauliceia. Depois de décadas de contaminação, ​Tito conhece cada detalhe da maldição​ com que precisam lidar​.​ ​E conhece também a Galeria Creta, um lugar​ em São Paulo onde​, na lua cheia,​​ há sempre um abrigo seguro​ para ele e para outros dos seus. Basta pagar o preço. 
Como a própria sinopse da Amazon acrescenta "essa novela é a primeira publicação sobre o universo da Galeria Creta, uma galeria nos submundos de São Paulo onde - sob a gerência de Minotauro - a realização de todo e qualquer desejo pode ser encontrad​a​ à venda." Desde que conheci a Jana, sua A Galeria Creta já chamou a minha atenção - e como não chamaria?? Sou fã de fantasia urbana e mitologia grega, então é claro que as ideias dessa incrível autora me deixaram ansiosa por ler o livro completo. Mas antes do romance ficar pronto, Lobo de Rua surgiu, contando história de Raul e Tito e servindo de prequela para a história de Téo, o protagonista de A Galeria Creta, que faz uma aparição nessa novela de 112 páginas. 
Mas o foco aqui não é ele, e sim Raul, um recém-transformado lobisomem enfrentando a dura realidade de ser morador de rua e agora licantropo, o que já não é fácil por si só. A transformação é horrivelmente dolorosa e ainda pode te levar a comer coisas indigestas - tipo pessoas. Tito Agnelli, lobisomem experiente, se apieda da situação do guri, o acolhe e tenta ensinar-lhe o básico para lidar com essa nova realidade. Além dos ensinamentos, é Tito quem apresenta Raul à Galeria Creta, um local seguro para passar as noites de lua cheia (sem comer ninguém). Mas tudo tem um preço, é claro.
O que mais gostei em Lobo de Rua e na escrita da Jana é o realismo; sempre fui da opinião que a verossimilhança é o mais importante quando escrevemos fantasia - ou seja, não é porque a história tem magia ou zumbis que as leis da física devem ser ignoradas e os mortos-vivos possam andar pelo teto (a não ser que seja o zumbi do Homem-aranha, aí talvez). Enfim, em Lobo de Rua tudo é cruelmente plausível e real do começo ao fim (especialmente no fim). Aqui não há lugar pra contos de fadas - o sobrenatural existe e não é coisa de criança.
Além do realismo, Jana tem um estilo de escrita bonito, técnico sem ser enfadonho, bem-humorado e sombrio em medidas proporcionais e nos momentos adequados. Eu ri, me emocionei, chorei e me contorci um pouquinho com a dor dos personagens. E isso é um baita elogio!

Por falar em personagens, não há o que reclamar. Tito e Raul são ambos profundos e muito bem construídos. Isso é, a propósito, outro elogio à autora: não deve ser fácil escrever tão bem um menino de rua, sendo que essa é uma realidade que conhecemos (em geral) superficialmente. Sei que Jana pesquisou bastante para criar Raul e isso reflete na história - eu acreditei na dor e nas ações dele, em sua humanidade. Tito, ao contrário de Raul, é um cara vivido e bem mais velho do que parece. Imigrante italiano, ainda usa algumas palavras no idioma nativo (o que eu acho uma graça, pra ser honesta). Também é uma graça e muito tocante o que passa na cabeça dele ao se relacionar com o garoto, tão sofrido e tão sozinho. Os outros personagens - a cigana Soraia, Téo e sua amiga, e o Minotauro - são tão reais quanto os outros, apenas não recebem tanta atenção na novela, o que será sanado em A Galeria Creta, eu espero.
Tendo apenas 112 páginas, alguns poderiam duvidar que a história seja satisfatória. Pois não duvidem; Lobo de Rua cumpre muito bem seu papel de prequela, deixando "pontas soltas" para o próximo livro, mas consegue também "resolver os assuntos" da própria novela. Não posso falar mais nada para não arriscar dar spoilers, porque tu NÃO vais querer estragar a experiência, então vou deixar apenas minha recomendação: se tu gostas de fantasia urbana, faça um favor a ti mesmo e leia Lobo de Rua.

Vamos à avaliação final*?

Escrita: 4,5
Enredo: 4,5
Personagens: 5
Worldbuilding: 5
Diagramação: 5 (parabéns ao ilustrador, aliás!!)
Revisão: 4 (encontrei poucos erros)
Capa: 5 (capa minimalista, mas eu amei o resultado)
Nota final da Cami: 4,5 *



Agora um pequeno lembrete à Jana, pra finalizar: 

*Se quiser entender melhor como funciona o sistema de avaliação, clique aqui.

2 comentários:

  1. Adorei a resenha! Vou recomendar a leitura.

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  2. Ótima resenha! Tinha lido "Lobo de Rua" há algum tempo, quando a Jana pediu que eu fizesse resenha em meu blog. O livro me surpreendeu: li tudo de uma tacada só.

    Depois ganhei o livro físico e esses dias resolvi reler: me peguei gostando mais ainda. A escrita é do tipo que faz você esquecer que está lendo, as páginas simplesmente voam. E mesmo os personagens que aparecem pouco são bem construídos: você sente que está conhecendo apenas uma faceta deles, e não um personagem a cuja caracterização o autor deu pouca atenção porque é secundário.

    E que venha "A Galeria Creta"!

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