terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Conhecendo os Autores Nacionais #07: Marcella Rossetti

Oi, pessoal! Comemorando o aniversário dessa escritora INCRÍVEL, trago a entrevista que a Marcella respondeu para o blog! Confira e conheça mais sobre a autora do livro Filhos da Lua: O Legado (que logo terá resenha por aqui!).

Cami: Para começar, que tal uma mini-autobiografia? Nada de mais: nome, idade, aniversário (quem sabe rolam uns presentes! ^^), cidade, formação... Enfim, o que você achar relevante! 
Olá! Meu nome é Marcella Rossetti, nasci em 23 de fevereiro de 1981, na cidade de Santos, litoral do estado de São Paulo.
Sou formada em bacharelado e licenciatura em História, trabalho como professora em duas escolas particulares na cidade de Santos. 
Na adolescência, apesar de morar pertinho da praia geralmente eu a trocava para ficar o dia todo jogando RPG com os amigos. Sempre amei inventar personagens e cenários. Acredito que essa foi uma das minhas inspirações para criar o universo de Filhos da Lua: o Legado. 
A LEITORA

 

Cami: Quais são seus autores favoritos (nacionais e/ou estrangeiros)?
Marcella: Meu autor favorito nacional é com toda a certeza Rodrigo de Oliveira (Amo zumbis! Hehe...). Stephen King e J. R. R. Tolkien são meus autores estrangeiros favoritos. Adoro os personagens criados por Stephen King e sou apaixonada pelo universo de Tolkien.  

C: Lembras qual foi o livro que te fez gostar de ler?
M: Quando eu tinha onze anos li Brida, de Paulo Coelho, pois o tema de bruxaria me atraía muito na época e me lembro que a partir desse momento passei a sentir vontade de devorar livros.
 
C: Qual é o gênero literário que tu lês com mais frequência?
M: Com toda a certeza Fantasia.

C: Existe algum livro que tu aches tão incrível que tu gostarias de ter escrito?
                                 M: Senhor dos Anéis, a obra é genial.

A AUTORA

C: O que te motivou a começar a escrever?
M: A verdade é que aquilo que mais me impulsionou a escrever foram algumas lembranças negativas.
Quando eu tinha quatorze anos recebi nota zero em redação e quando eu timidamente questionei a nota, a professora me respondeu que o texto era bom demais e que eu havia copiado de algum livro. Eu era nova escola e, apesar de ter feito sozinha o texto, não discuti com ela, ficando com o zero. 

Anos depois, já na faculdade, a professora de língua portuguesa educadamente questionou a minha redação, insinuando que eu havia copiado de algum livro. Bom, a partir daí eu comecei a pensar que talvez eu devesse aceitar o desafio de escrever um...
Assim que terminei a faculdade comecei a refletir sobre o tema, a trama e os personagens. A partir daí adotei o gênero fantasia, tentando focar em uma história de lobisomens com mitologia própria e diferente das então conhecidas.


C: O que tu mais gostas de escrever (contos, poemas, horror, mistério...)?
M: Adoro escrever fantasia. Tenho um pouco de dificuldade com contos, pois minhas histórias sempre acabam ficando longas...
 
C: Quais são seus trabalhos já publicados?
M: Filhos da Lua: o Legado foi minha primeira publicação, entretanto a continuação logo estará saindo.

C: A propósito, como surgiu a oportunidade da primeira publicação?
M: A primeira oportunidade surgiu através da Amazon. Adorei a plataforma, pois ela possibilita a publicação em e-book sem qualquer custo para o autor e disponibiliza em suas lojas pelo mundo todo.
Poucos meses depois e devido as boas avaliações dos leitores na Amazon consegui chamar atenção da editora AVEC, que gostou da obra e recentemente fechamos contrato. Logo Filhos da Lua estará nas livrarias em formato físico!

C: Além da publicação em meio físico e tradicional, publicas teus trabalhos em outros lugares (como Widbook, Wattpad, e-book independente pela Amazon)?
M: Apenas publico na Amazon, mas tenho o primeiro capítulo disponível no Wattpad também.

C: Que projetos tens em mente para os próximos meses?
M: Para os próximos meses pretendo escrever alguns contos e terminar a continuação de Filhos da Lua: o Legado. Entre o primeiro livro e o segundo teremos contos de alguns personagens, a ideia é enriquecer ainda mais o universo desenvolvido.


C: E, finalmente, qual é o teu conselho para quem gosta de escrever e quer seguir esse caminho?
M: Meu maior conselho é se concentrar em estudar técnicas de escrita, se aprimore antes e durante o desenvolvimento do seu livro.
No Brasil ainda não temos muitas faculdades de escritores como há nos Estados Unidos e precisamos correr atrás. Não basta ter talento, é preciso também ter a técnica para atrair o leitor para a história que o seu talento criou. Estudei bastante e ainda estudo para desenvolver minhas habilidades de narrativa e criação e acho que nunca vou parar...
Outro conselho não se autocritique demais, deixe seu texto avançar e somente depois retorne e arrume o que não ficou satisfeito.
E fique rodeado de pessoas que acreditam em você, mas que estão dispostas a fazer críticas sinceras sobre seu trabalho, algumas das melhores cenas foram criadas reescrevendo aquelas em que meus leitores betas não haviam gostado inicialmente.

E aí, o que acharam da entrevista? Além de dizer que temos muito em comum (zumbis são ), gostaria de encerrar este post desejando muitas felicidades, sucesso, livros e saúde à essa autora que me conquistou com seus karibakis!! Parabéns, Marcella!! 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Novas parcerias: Conexão Literatura

Oi, pessoal! Cá estou para falar um pouco sobre a revista digital (GRATUITA) Conexão Literatura, do criador e editor Ademir Pascale, que é autor também de O Desejo de Lilith e Caçadores de Demônios, publicados pela Editora Draco e parte da minha wishlist. Conheci a revista através da Amanda Leonardi (cuja entrevista tu podes conferir aqui), que é conselheira editoral, e adorei as matérias. Algumas semanas atrás, vi que estavam abertos a parcerias com blogs e aqui estamos :)


A revista está na sua oitava edição (referente ao mês de fevereiro), que traz em destaque uma entrevista com o autor nacional Eduardo Spohr, autor do best-seller A Batalha do Apocalipse. Os leitores também poderão conferir uma crônica super bacana da Misa Ferreira de Rezende, entrevistas com João Paulo Balbino, Maya Blannco, Gustavo Magnani, Anderson Borges Costa, Fernando Lima e Kell Teixeira, além de ótimos contos elaborados pelos autores Ademir Pascale, Palmira Heine, Neyd Montingellii, Dione Souto Rosa e Ricardo de Lohem.


Por enquanto é só, pessoal! Não deixem de conferir esta e outras edições da Conexão Literatura ;)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Primeiras Impressões #03: Fantasya, Tiago Anderson


Oi, pessoal! Como falei no post de ontem (de algumas horas atrás, na verdade), a Letícia Godoy - em nome da Editora Arwen - cedeu a um grupo de blogueiros os capítulos iniciais de dois livros em pré-venda: "O Enigma de Shalkas" e "Fantasya". Tu podes ler minha opinião sobre o primeiro aqui, mas agora é o momento de falar sobre o livro de Tiago Anderson. 

Comecemos pela sinopse:

Em uma terra distante chamada Athar, dois amigos, Charlie e Léo, garotos comuns que viviam na calmaria de uma cidade interiorana, descobrem um fantástico mundo jamais imaginado. Além de belas paisagens e criaturas místicas, o lugar é repleto de tesouros. Porém, um perigo iminente previsto por uma antiga profecia coloca toda essa magia em risco, pois Stella, um elfo maligno dominado pelas sombras, dá indício de seu retorno após mais de dois séculos desaparecido. Seu objetivo é claro: dominar toda Athar e espalhar as trevas para construir seu reino. Fantasya mostra ao leitor como a união e a amizade podem ser grandes aliadas na guerra da luz contra as sombras, e que ainda há esperança para aqueles que creem na vida infinita.

Os primeiros capítulos deste livro são... leves - idílicos, eu diria. O escritor nos descreve a vida simples do jovem Charlie, um guri humilde e alegre que adora morar no campo e viver em contato com a natureza. Somos apresentados à sua família, simples e normal, assim como sua vida. Em meio a descrições de um cenário belo e agradável, conhecemos também os vizinhos deste menino - Léo e sua avó muito doente, Dona Matilde, que é como uma avó para Charlie também. Não vou dar mais detalhes para não tirar nenhum possível encanto ou surpresa, mas a degustação termina num ponto onde a capa faz total sentido (eu ia ser mais detalhista, mas não quero arriscar spoilar ninguém). 
Ah! Falando em capa: sabe aquela ponta vermelha na parte direita da capa de Fantasya? Nada mais é que a continuação da capa de O Enigma de Shalkas! Não acredita?


Viu? Até ontem, estava me perguntando o motivo desse link e foi aí que encontrei a explicação do Tiago Anderson pra isso: 
"É o seguinte, o Enigma me inspirou para escrever FANTASYA, assim como outras obras. Porém, a obra do André era algo que eu queria explorar não apenas como leitor, mas como escritor. Tanto é que escrevi 10 poemas inspirados em SHALKAS, na história que li. A partir daí, eu pedi autorização ao André para que pudesse, em meu livro, citar algumas coisas de Herégion. Pois bem, Athar e Herégion são dois reinos vizinhos que se cruzam hora ou outra em ambas histórias. Para mais detalhes, apenas lendo mesmo. (risos)As capas se juntam de forma para dar a alusão mesmo dessa união."
Eu achei esse detalhe incrível e que seria legal compartilhar com vocês aqui. Sabe o que mais é incrível? A riqueza das descrições em Fantasya. Assim como em O Enigma de Shalkas, o autor se preocupa em criar um cenário bastante detalhado e crível, para onde tu consegues te transportar sem esforço. Eu, como fã incondicional de Tolkien, sou uma amante dos detalhes - o que não agrada a todos, infelizmente. 
As relações entre os personagens também é muito bonita - todos são (ou parecem, pelo menos) simples e puros, o que é um contraste interessante com a nossa realidade. Apesar dos poucos diálogos, podemos ver o elo de amor e amizade que liga os personagens já apresentados, e não é difícil se afeiçoar a eles. 
Inevitavelmente, estou agora me corroendo de vontade de ter o livro em mãos para descobrir mais sobre Athar e acompanhar as aventuras dos dois meninos por esse mundo desconhecido e mágico!




O livro ainda está em pré-venda no site da Editora Arwen e, na promoção, está por R$20,90 até o comecinho de janeiro de 2016 - seu preço normal é R$31,90
No entanto, eu aconselho a compra do kit O Enigma de Shalkas + Fantasya que está por R$42,90 na promoção!!



[Resenha] Sombras do Medo, Camila Pelegrini


Oi, pessoal! Nos últimos meses, me voluntariei para alguns book tours (como o bannerzinho na barra lateral demonstra) e o primeiro livro a chegar foi um exemplar da primeira edição do livro Sombras do Medo, da querida autora parceira Camila Pelegrini. Além de ser uma resenha especial por eu já gostar e acompanhar a autora antes mesmo de ler o livro, será a inauguração do novo formato de avaliação, mais criterioso que o aquele que vinha usando até agora. Vamos à resenha, então?




Título: Sombras do Medo 
Autora: Camila Pelegrini
Editora: Garcia Edizioni
Edição: 1ª
Ano: 2014
ISBN-13: 9788565490764
Gênero: Distopia, YA, Fantasia
Não faz parte de uma série
Esta edição não está mais à venda, mas a nova edição está pode ser adquirida na loja da editora Arwen





Em um futuro pós destruição em massa, provocada pelas guerras humanas e desastres naturais - para os quais os humanos também contribuíram grandemente - o mundo é dividido em 5 grandes regiões. Em cada uma delas vivem ordinários e singulares, pessoas com ambições completamente diferentes. Estes dominam o mundo. Aqueles tentam tão somente sobreviver.E ao viverem dessa forma, a bondade beira à extinção. O caos reina em seu lugar, despertando forças malignas que há muito esperam para serem alimentadas.A maior guerra de todos os tempos finalmente começa e a humanidade já se encontra em desvantagem.E em meio a tanto ódio e destruição, será o amor capaz de afastar as Sombras do Medo?

    Em Sombras do Medo, o mundo como o conhecemos não existe mais. No lugar dele restou uma Terra árida, praticamente sem recursos naturais e dividida entre ordinários e singulares. O primeiro grupo, mais numeroso, é constituído pelos mais pobres, que levam uma vida miserável de trabalho duro e constante, tanto para subsistência quanto para usar como moeda de troca com o segundo grupo, que detém o controle dos recursos naturais. Pelo seu trabalho, os ordinários recebem (pouca) água, (pouca) comida e (pouquíssimas) roupas. Como símbolo de poder, os singulares mandaram construir muralhas em torno de suas cidades, de modo a proteger seus recursos e lembrar os ordinários que seus mundos são totalmente diferentes. Durante a construção dessas muralhas, muitos operários morreram - ordinários, obviamente -, e um desses foi o pai da nossa protagonista.
     Anabele Godhet é uma ordinária que leva uma vida comum: trabalha todos os dias, come e bebe o mínimo para sua sobrevivência, divide uma casinha simples com sua mãe Amanda e se diverte com seu amigo de infância Vincent. Ao mesmo tempo que é de uma bondade marcante, a jovem de quase 20 anos não aceita essa divisão injusta de recursos, onde a maioria vive com quase nada e a minoria detém o controle de tudo que restou. Como se isso não bastasse, ela tem que conviver com terríveis pesadelos (assim como todos a seu redor) e uma novidade assustadora: ordinários começaram a sumir no meio da noite. Quem - ou o que - estaria por trás desses sumiços? Isso Ane logo descobrirá, com ajuda do forasteiro (bonitão), Henry, que parece estar tão interessado por ela quanto ela está por ele.  
     Para evitar spoilers, não vou dizer quem está levando os ordinários (embora a nova capa, da editora Arwen, dê uma pista), mas devo comentar que achei bem criativa a ideia da Camila. A história toda, na verdade, é bastante criativa e bem escrita. Além de uma narrativa fluída e que me prendeu do início ao fim, a autora soube dosar bem as cenas de ação e o romance, que, embora tenha um triângulo amoroso, não tem mocinha indecisa! Uhul! 
      O narrador em terceira pessoa nos permite ver as coisas pelos olhos dos ordinários com Ane e dos singulares, com o Presidente deste grupo - e ambos pontos de vista nos fazem odiar os singulares. A propósito, a mensagem do livro é simples, mas muito bonita e pertinente: o que estamos fazendo com o nosso planeta? O que estamos fazendo uns com os outros? Onde vamos chegar se continuarmos por esse caminho de ganância e egocentrismo? Posso dizer que fiquei refletindo sobre o assunto um bom tempo depois de terminar Sombras do Medo. (O final traz um belo complemento à essa mensagem.)
     Sobre os personagens, Amanda e Jhou são meus favoritos; Amanda por ser uma mulher forte, bondosa e uma mãe maravilhosa, e Jhou por ser a criatura mais linda e fiel possível. Chorei litros por causa desses dois. Ane e Henry são ótimos personagens também, bem construídos, verossímeis e fáceis de gostar - torci por Ane do começo ao fim e, embora eu tenha descoberto o segredo de Henry logo no começo, simpatizei com ele mesmo assim. E chorei com os dois também (acho que estou ficando muito mole!). Vincent, apesar de ser um bom personagem e eu ter gostado dele no começo, acabei com raiva dele no decorrer da história. 
     Os pontos negativos são poucos: a revisão deixou um pouco a desejar (o que eu acredito que tenha sido remediado na nova edição) e o livro deveria ser maior, o que permitiria que alguns eventos e situações fossem melhor abordados.
        Ah, sim! A capa! Apesar de LINDA, eu sinceramente não consegui encontrar a ligação entre a capa da primeira edição e a história - nem restaram árvores no mundo (não nas terras ocupadas pelos ordinários, pelo menos) e Ane tem cabelos curtos, como todas ordinárias. Esse, aliás, foi um toque de realidade que eu gostei muito: imagine viver num mundo onde o clima é seco e quente, e tu tens que trabalhar sob o sol por horas à fio. Quem teria vontade de manter cabelos longos? Levando em consideração a escassez de água, quem gastaria esse precioso recurso para lavar os cabelos?? Enfim, finalizando o assunto das capas, fiquei muito, muito feliz com a da nova edição, que faz muito mais sentido (e continua linda).
Essa é a capa linda da nova edição do livro pela Arwen
     Só posso concluir minha análise dando os parabéns à escritora! Recomendo esse ótimo livro a todos que curtem uma distopia com ares de fantasia, um romance agradável (sem firulas e na dose certa!) e uma leitura rápida! 

Vamos à avaliação final?*
Escrita: 4
Enredo: 3,5
Personagens: 3,5
Worldbuilding: 3,5
Diagramação: 4
Revisão: 3,5
Capa: 2,5 (apesar de linda, não serve à história) 

Nota final da Cami3,5 (mas sei que vai subir para 4 com a edição da Arwen

*Se quiser entender melhor como funciona o sistema de avaliação, clique aqui.

REVIEW: Lobo de Rua, Jana P. Bianchi


Oi, pessoal! Estou devendo algumas resenhas dos livros que li no ano passado e minha tarefa do mês é colocar tudo em dia. Comecemos com a que estou devendo há mais tempo: Lobo de Rua, da autora parceira Jana P. Bianchi, que foi uma das minhas leituras favoritas de 2015. Aliás, foi por isso mesmo que demorei mais do que eu gostaria (muito mais) pra postar a resenha: queria escrever uma análise à altura de uma história tão bem escrita quanto essa. Sem mais enrolação, vamos falar de lobos!



Título: Lobo de Rua 
Autora: Jana P. Bianchi
Autopublicado
Edição: 1ª
Ano: 2015
ISBN: B00YOHKGWM
Gênero: Fantasia urbana
A Galeria Creta 0.5
Compre o e-book aqui e o livro físico diretamente com a autora, mandando um e-mail para o Minotauro.



Raul é um​ morador de rua​, um menino invisível ​como tantos outros. ​C​omo se sua desgraça​ não fosse suficiente, ​o garoto​​​ descobre-se portador da licantropia, maldição que o transforma em fera sempre que a lua cheia ocupa o céu. Tito Agnelli​ é um velho imigrante italiano.​ ​Ele ​não compartilha do abandono de Raul, mas conhece muito bem a sensação de ser rasgado por dentr​o ​pela coisa vil​ e selvagem​ que se abriga nele.​ ​ C​ompadecido com o sofrimento do recém-transformado, Tito ​​acolhe Raul ​e reabre a Alcateia de São Paulo, extinta até então por falta de ​lupinos residentes na Pauliceia. Depois de décadas de contaminação, ​Tito conhece cada detalhe da maldição​ com que precisam lidar​.​ ​E conhece também a Galeria Creta, um lugar​ em São Paulo onde​, na lua cheia,​​ há sempre um abrigo seguro​ para ele e para outros dos seus. Basta pagar o preço. 
Como a própria sinopse da Amazon acrescenta "essa novela é a primeira publicação sobre o universo da Galeria Creta, uma galeria nos submundos de São Paulo onde - sob a gerência de Minotauro - a realização de todo e qualquer desejo pode ser encontrad​a​ à venda." Desde que conheci a Jana, sua A Galeria Creta já chamou a minha atenção - e como não chamaria?? Sou fã de fantasia urbana e mitologia grega, então é claro que as ideias dessa incrível autora me deixaram ansiosa por ler o livro completo. Mas antes do romance ficar pronto, Lobo de Rua surgiu, contando história de Raul e Tito e servindo de prequela para a história de Téo, o protagonista de A Galeria Creta, que faz uma aparição nessa novela de 112 páginas. 
Mas o foco aqui não é ele, e sim Raul, um recém-transformado lobisomem enfrentando a dura realidade de ser morador de rua e agora licantropo, o que já não é fácil por si só. A transformação é horrivelmente dolorosa e ainda pode te levar a comer coisas indigestas - tipo pessoas. Tito Agnelli, lobisomem experiente, se apieda da situação do guri, o acolhe e tenta ensinar-lhe o básico para lidar com essa nova realidade. Além dos ensinamentos, é Tito quem apresenta Raul à Galeria Creta, um local seguro para passar as noites de lua cheia (sem comer ninguém). Mas tudo tem um preço, é claro.
O que mais gostei em Lobo de Rua e na escrita da Jana é o realismo; sempre fui da opinião que a verossimilhança é o mais importante quando escrevemos fantasia - ou seja, não é porque a história tem magia ou zumbis que as leis da física devem ser ignoradas e os mortos-vivos possam andar pelo teto (a não ser que seja o zumbi do Homem-aranha, aí talvez). Enfim, em Lobo de Rua tudo é cruelmente plausível e real do começo ao fim (especialmente no fim). Aqui não há lugar pra contos de fadas - o sobrenatural existe e não é coisa de criança.
Além do realismo, Jana tem um estilo de escrita bonito, técnico sem ser enfadonho, bem-humorado e sombrio em medidas proporcionais e nos momentos adequados. Eu ri, me emocionei, chorei e me contorci um pouquinho com a dor dos personagens. E isso é um baita elogio!

Por falar em personagens, não há o que reclamar. Tito e Raul são ambos profundos e muito bem construídos. Isso é, a propósito, outro elogio à autora: não deve ser fácil escrever tão bem um menino de rua, sendo que essa é uma realidade que conhecemos (em geral) superficialmente. Sei que Jana pesquisou bastante para criar Raul e isso reflete na história - eu acreditei na dor e nas ações dele, em sua humanidade. Tito, ao contrário de Raul, é um cara vivido e bem mais velho do que parece. Imigrante italiano, ainda usa algumas palavras no idioma nativo (o que eu acho uma graça, pra ser honesta). Também é uma graça e muito tocante o que passa na cabeça dele ao se relacionar com o garoto, tão sofrido e tão sozinho. Os outros personagens - a cigana Soraia, Téo e sua amiga, e o Minotauro - são tão reais quanto os outros, apenas não recebem tanta atenção na novela, o que será sanado em A Galeria Creta, eu espero.
Tendo apenas 112 páginas, alguns poderiam duvidar que a história seja satisfatória. Pois não duvidem; Lobo de Rua cumpre muito bem seu papel de prequela, deixando "pontas soltas" para o próximo livro, mas consegue também "resolver os assuntos" da própria novela. Não posso falar mais nada para não arriscar dar spoilers, porque tu NÃO vais querer estragar a experiência, então vou deixar apenas minha recomendação: se tu gostas de fantasia urbana, faça um favor a ti mesmo e leia Lobo de Rua.

Vamos à avaliação final*?

Escrita: 4,5
Enredo: 4,5
Personagens: 5
Worldbuilding: 5
Diagramação: 5 (parabéns ao ilustrador, aliás!!)
Revisão: 4 (encontrei poucos erros)
Capa: 5 (capa minimalista, mas eu amei o resultado)
Nota final da Cami: 4,5 *



Agora um pequeno lembrete à Jana, pra finalizar: 

*Se quiser entender melhor como funciona o sistema de avaliação, clique aqui.

REVIEW: A Chama da Esperança - A Princesa Renegada, M. V. Garcia

Oi, pessoal! Hoje venho compartilhar com vocês as minhas impressões sobre A Chama da Esperança: A Princesa Renegada, um livro muito legal que chegou até mim através de um book tour. 


Título: A Princesa Renegada 
Autora: M. V. Garcia
Editora: Arwen
Edição: 1ª
Ano: 2015
ISBN:  978-85-68255-00-9
Gênero: Alta Fantasia.
A Chama da Esperança, Parte 1
Compre o livro na pré-venda no site da editora Arwen por R$29,90!
Leia os primeiros capítulos no Widbook.



Movidos pelo preconceito, pela sede por poder e pela perda, humanos e feiticeiros eram inimigos desde os primórdios de Yuan, gerando guerras e destruição.Durante uma terrível guerra, que ficou conhecida como a Grande Guerra de Willford, Kaira perdeu o seu lar e sua família. Quando uma nova guerra se inicia, ela não faz ideia do que está por vir, mas a jovem feiticeira recebe a difícil tarefa de reunir os cinco clãs de feiticeiros da nova República em um único e poderoso exército. Será que ela vai conseguir?Em uma aventura que percorre as planícies de Ghennas, a montanha gelada de Liore, os desertos de Rockaxe e as margens do rio Armon, Kaira, seu melhor amigo Garo e dois companheiros mais do que improváveis descobrem que há muitos segredos que alimentaram o ódio entre os dois povos.  
Nossa história começa com um prólogo cheio de ação, onde vemos a fuga da Rainha Rosaria, deposta de seu cargo após a morte de seu marido (Albert Seres, o Rei de Willford, um dos reinos dos humanos) por ser uma feiticeira. Perseguida por humanos e um grupo de feiticeiros perversos, Rosaria toma uma atitude desesperada para salvar a vida que mais lhe importava - a de sua filha ainda bebê, Kaira - e ainda impedir a continuidade da Grande Guerra, embora ninguém saiba o que realmente aconteceu com ela ou o motivo da guerra ter sido interrompida. 
15 anos depois, Kaira vive em Kisha, uma pequena vila dos feiticeiros de Fogo, com seu avô e irmã adotivos, Sahir e Adill, que são também seus professores de Magia e História. Embora ela tenha uma vida tranquila e cheia de brincadeiras e pequenas aventuras (frequentemente ocorridas no período que deveria estar em sala de aula), sua paz logo será interrompida pois a frágil paz entre humanos e a República dos Feiticeiros está no fim e apenas Kaira, com a ajuda de seus velhos e novos amigos, tem a capacidade de reunir os 5 clãs mágicos - Fogo, Água, Terra, Metal e Ar - em um exército único que seja páreo para os bem equipados exércitos de Willford. Será ela capaz de completar tão importante missão?
Com esse enredo, que tentei mostrar com o mínimo de spoilers, a autora nos leva por boa parte do reino criado por ela - que, aliás, é muito bem construído -, usando um narrador em terceira pessoa para nos mostrar ambos os lados da Guerra: os humanos e os feiticeiros, que se odeiam mutuamente e consideram o grupo rival monstros desalmados. Com o passar das páginas, descobrimos a origem desse ódio e rancor, além de vários outros segredos por trás da Grande Guerra, e entendemos a grandeza e dificuldade da tarefa de Kaira e seus amigos. 
Christine, Garo, Capitão Hawk (do Exército de Willford) e nossa protagonista de olhos vermelhos, Kaira.
Vamos aproveitar e falar um pouco sobre os personagens: Kaira é uma grande feiticeira do Fogo, com nenhuma paciência para as aulas teóricas e muita vontade de colocar seus poderes em prática. Apesar de talentosa, ela é uma guria inocente de 15 anos, que nem imagina a importância que tem para o mundo inteiro, mas que aceita seu fardo quando ele lhe é imposto (não que ela tivesse muitas opções). Ela é uma personagem coerente, com seus defeitos e inseguranças, e simpatizei com ela de cara, principalmente porque tenho uma (enorme) queda por manipuladores de fogo (não é a toa que todas as protagonistas dos meus livros inacabados têm esse dom). Mesmo assim, minhas personagens favoritas são a professora Adill - também feiticeira do Fogo e grande estrategista - e Christine, feiticeira da Água e um prodígio entre o seu povo. Ainda que as duas sejam minhas favoritas, todos os personagens são bem construídos, verossímeis e consistentes, três características bem importantes. Dentre os humanos, gostei muito da Rainha Yukiko - mais prisioneira que regente - e Aramis, um jovem Conselheiro estrangeiro, que vem a Alzoria (capital de Willford) atrás de respostas e justiça. 

No lado negro da Força, o principal vilão humano é totalmente enojante, irritante e asqueroso - e covarde, muito covarde. Há também o grupo dos Falcões Negros, feiticeiros espetaculares e ambiciosos, que dão bem mais medo que o humano. Apesar do poder dos Falcões e do exército poderoso de Willford, a maldade de ambos os lados se concentra na manipulação e na corrupção. 
Mudando de assunto antes que eu fique falando para sempre dos personagens, a escrita da M. V. Garcia é muito gostosa de ler; é como se a autora houvesse transformado um anime em livro, o que, para um amante dos quadrinhos e animações japonesas como eu, faz da leitura algo ainda mais divertido e instigante. Uma vez ou outra, as situações ficaram um pouco exageradas e descobri alguns mistérios antes do que deveria, mas nenhum desses dois fatores atrapalha a coerência da história ou a diversão. A linguagem é agradável e não encontrei muitos erros de digitação ou ortografia (o que seria bem aceitável, já que o exemplar da book tour não era a versão final do livro). O final é digno de Rick Riordan, já que nos deixa BEM NO MEIO DE UMA CENA VITAL e nos faz ansiar pelo próximo livro. 

Houve também um fator bem pessoal que contribuiu para que A Chama da Esperança se tornasse um favorito: o ambiente e o começo da história lembram muito uma quest de RPG que minha amiga e eu jogamos anos atrás, que foi transcrita e, com toneladas de modificações, se tornou o nosso livro em co-autoria (que um dia será terminado o/). Lendo A Princesa Renegada, me senti em casa. 
Sem mais delongas, recomendo este livro a leitores de todas a idades (mas especialmente adolescentes e jovens adultos) que gostem de uma boa história de Alta Fantasia com grandes doses de humor e amizade - e pancadaria, porque tudo que é bom tem que ter pancadaria. 

Vamos à avaliação final? 
Escrita: 3,5
Enredo: 4
Personagens: 3,5
Worldbuilding: 4
Diagramação: não vou dar nota porque não vi a versão final, mas parece ter ficado bem legal ^^
Revisão: 4 (pode ter melhorado ainda mais na versão final!)
Capa: 3,5
Nota final da Cami: 4