sábado, 16 de janeiro de 2016

Conhecendo os Escritores Nacionais #06: Amanda Leonardi

Oi, pessoal! Ano passado comecei uma coluna de entrevistas aqui no blog para apresentar autores nacionais e aproximá-los do público, já que muitos brasileiros pouco sabem do cenário literário atual do nosso país. Por motivos de falta de tempo e organização, as entrevistas pararam de ser postadas (mea culpa, mea maxima culpa!), mas hoje estou ressuscitando a coluna! Para essa re-estréia, ninguém melhor que uma autora maravilhosa, contista muito talentosa que eu tenho a honra de conhecer pessoalmente - e ainda trabalho com ela no Literatortura, onde ela é a vice-boss (digo, co-editora)! Com vocês, minha amiga e escritora prolífica, Amanda Leonardi!


Cami: Para começar, que tal uma mini-autobiografia? Nada de mais: nome, idade, aniversário (quem sabe rolam uns presentes! ^^), cidade, formação... Enfim, o que você achar relevante!
Amanda: Nascida em Porto Alegre, em 23 de agosto de 1991. Formada em Letras na UFRGS, tradutora e escritora de contos de terror e poemas.

A LEITORA



C: Quais são seus autores favoritos (nacionais e/ou estrangeiros)?
A: Shakespeare, Poe, Álvares de Azevedo, Stephen King, Anne Rice, Sylvia Plath, Byron, Bram Stoker, Mary Shelley, Tim Burton (os poemas dele são maravilhosos!), Salinger, Dostoiévski, Goethe, Bukowski, Anne Sexton, Walt Whitman, Blake, Hesse, Dante, Mário Quintana, Guy de Maupassant, Neil Gaiman, Paul Auster, Borges, Saramago, Nietzsche, Augusto dos Anjos e muitos outros, podia ficar o dia todo listando, heheh! Mas esses aí são os que eu mais leio.


C: Lembras qual foi o livro que te fez gostar de ler?
A: Me apaixonei por literatura clássica com Shakespeare, quando li Hamlet pela primeira vez aos doze anos, e por terror com o Poe quando li alguns contos dele com 16, mas gostar de ler de forma mais geral, acho que sempre gostei. Meus pais liam livros infantis pra mim desde que eu tinha uns 4 ou 5 anos, e eu decorava as historinhas antes de aprender a ler e fingia que já sabia ler.

 


C: Qual é o gênero literário que tu lês com mais frequência?
A: Eu amo romances e contos terror, gosto sempre de descobrir mais escritores, clássicos e contemporâneos (recentemente tenho lido e resenhado livros de autores nacionais muito bons, como o Duda Falcão e o Ademir Pascale!). Mas também amo poesia, leio e releio poemas de muitos poetas e adoro descobrir mais poetas e mais poemas. Amo ler peças de teatro, desde Shakespeare a Sófocles, e também adoro romances de crescimento, como The Catcher in the Rye, Demian, e também romances mais focados em questões existencialistas, como romances do Dostoiévski, “Assim falou Zaratustra” do Nietzsche, alguns do Thoreau, do Camus, etc. Ultimamente tenho pesquisado alguns focados na questão de realidade x ficção, o que é bem trabalhado em romances do Paul Auster como “Homem no escuro” e em alguns do Stephen King e contos do Borges (e tenho pesquisado mais livros nessa linha).



C: Existe algum livro que tu aches tão incrível que tu gostarias de ter escrito?
A: Bah, tantos! Muitos contos do Poe, peças do Shakespeare, “O homem no escuro” do Paul Auster, “The Catcher in the rye”, do Salinger, “O Lobo da Estepe” do Hesse e muitos poemas do Poe, da Plath, do Burton, do Byron, o “Oceano no fim do caminho” do Gaiman e a minha obsessão preferida: o “Werther” do Gothe.

A AUTORA

C: O que te motivou a começar a escrever?
A: Ler sempre me cativou demais e eu sempre sonhei em ler livros que não existem ainda, então pensei: “eu quero escrever esses livros”, e eu tento! Além disso, conforme escrevo, me dou conta de que o ato de escrever me traz uma vivacidade que é raro eu sentir, até já escrevi algumas crônicas sobre isso que eu tenho quando escrevo, parece que tudo é mais real, eu escrevo para existir, para apagar um pouco do silêncio ensurdecedor.

C: O que tu mais gostas de escrever (contos, poemas, horror, mistério...)?
A: Amo escrever contos de terror ou suspense e poemas. Ultimamente tenho misturado terror/suspense com meta-ficção, com narrativas que intencionam quebrar os limites entre realidade e ficção.  Já tentei escrever um romance nesse estilo, em que o protagonista cria um personagem que sai da ficção, mas ainda não tive tempo e coragem de revisar ele inteiro (já faz dois anos desde que terminei o romance!), mas deixei guardado no computador, espero conseguir ainda revisar e talvez publicar ele um dia.


                       
     
C: Quais são seus trabalhos já publicados?

A: A minha primeira publicação foi com alguns poemas em uma antologia de poesia da editora Multifoco chamada “Quatro Estações”, depois publiquei contos de terror nas antologias da editora Andross “Horas Sombrias”, “King Edgar Hotel” e “Legado de Sangue” e, mais recentemente, fui convidada para participar com um conto da antologia “Estrada para o Inferno” da editora Argonautas. Também tive um conto publicado no e-book da Fábrica de e-books “Contos de Terror” e organizei um antologia online lançada pelo Wattpad, chamada “A Taverna do Amontillado”, para a qual convidei alguns autores para escrever contos inspirados no Barril do Amontillado de Poe e em Noite na Taverna de Álvares de Azevedo, duas das minhas maiores influências. Além disso, sou co-editora do Literatortura, escrevo resenhas para o Indique um Livro e sou conselheira editorial da revista online Conexão Literatura, criada e editada pelo Ademir Pascale. Tive outros trabalhos publicados em alguns blogs e alguns contos e poemas publicados em uma revista online britânica focada em novos escritores, chamada “Blood Moon Rising”. Participei também de um projeto muito legal organizado pela Fernanda Oz, o projeto chama-se “Uma imagem, dois escritores” e a ideia é que dois escritores escrevem, cada um, um conto inspirado na mesma imagem. Foi uma experiência bem interessante. E acho que é isso de publicações por enquanto.

C: A propósito, como surgiu a oportunidade da primeira publicação?
A: Então, um professor meu que é escritor criou um grupo no Facebook chamado “Escritores ajudando outros escritores”, e nesse grupo tem um tópico onde só são postados links de chamadas de antologias. Eu dei uma olhada nas chamadas e enviei alguns trabalhos para algumas chamadas de antologias e fui selecionada para a antologia de poemas “Quatro Estações” da Multifoco, em 2013.

C: Além da publicação em meio físico e tradicional, publicas teus trabalhos em outros lugares (como Widbook, Wattpad, e-book independente)?
A: Ainda não, mas pretendo publicar alguma coisa em e-book na Amazon. Participei de uma antologia em e-book, a da Fábrica de Ebooks, que se chama “Contos de Terror” organizada pelo Ademir Pascale.

C: Que projetos tens em mente para os próximos meses?

A: A ideia principal é continuar focando na administração do Literatortura, escrevendo mais artigos literários e listas para o site (vai sair um especial sobre Poe no dia 19, aniversário dele!), escrevendo e buscando conteúdos para a revista Conexão Literatura e escrevendo resenhas para o Indique um Livro. Recentemente tive uma ideia para um possível romance meio macabro e um tanto ligado a assuntos pessoais, mas preciso amadurecer melhor a ideia antes de colocar no papel, enquanto isso continuo escrevendo mais alguns contos e poemas e procurando publicar mais. Tenho lido bastante sobre o processo criativo, como o artigo A Filosofia da Composição do Poe e os artigos do livro Wonderbook, que é todo sobre escrita criativa, e acho isso uma forma muito divertida de encontrar inspiração, talvez logo que eu acabar de ler o Wonderbook saia uma resenha legal sobre ele, ou até alguma matéria mais longa para o Literatortura, sei que os leitores gostam de ler sobre escrita também.

C: E, finalmente, qual é o teu conselho para quem gosta de escrever e quer seguir esse caminho?
A: Escreva. Escreva muito. Escreva quando você quer escrever - mesmo que não tenha inspiração, busque-a: leia livros que tragam inspiração, procure exercícios de criatividade, mesmo que não ajudem muito, sempre são divertidos de alguma forma. Mas, acima de tudo, escreva quando precisar escrever. Quando notar que, depois de algumas linhas cheias de palavras (nem importa se boas ou não) o simples fato de existir faz mais sentido ou pelo menos não é mais um peso tão grande, aí você entende que realmente precisa escrever. Escreva para viver, viva para escrever, ou escreva para sobreviver.

Um comentário:

  1. Adorei a entrevista!❤ Nn conhecia essa escritora. 😩

    Laah Ribeiro/ Mr. Livro
    blogandomrlivro.blogspot.com.br/

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