domingo, 16 de agosto de 2015

REVIEW: A Liga dos Artesãos

Cá estou de volta, com mais um livro nacional MARAVILHOSO que comprei na Odisséia de Literatura Fantástica aqui de Porto Alegre, direito das mãos do autor curitibano, Lauro Kociuba. Devido aos constantes elogios e belas críticas, passei este livro na frente de vários livros na minha lista e o devorei rapidamente – em dois ou três dias. Estou devendo a resenha há meses já, porque queria escrever uma à altura desse livro incrível. Não sei se cheguei no nível que queria, mas vou pelo menos explicar os motivos pelos quais me apaixonei por A Liga dos Artesãos.


A Liga dos Artesãos
 Autor: Lauro Kociuba
Autopublicado pelo Catarse
Número de páginas: 270 com os Extras
Nota da Cami: 4,5/5 
Primeiro volume de Alvores

O livro começa com um rápido prólogo que explica em linhas gerais o que são os Alvores (seres “místicos” como elfos, anões e orcs) e Encantados (descendentes de elfos com humanos), além de mostrar um pouco sobre terreno sobre o qual o livro se desenvolve: os Alvores estão enfraquecidos, principalmente em números e depois da Grande Guerra, a qual aconteceu em paralelo com as duas Grande Guerras Mundiais humanas e decidiu o rumo de todos. Neste mesmo prólogo, os elfos tomaram a decisão de sair em busca de outros elfos e encantados pelo mundo; Aer’delo, um dos três elfos presentes no encontro, foi designado para as Américas e foi escolhido pelos pais de Tales (nosso protagonista) para dar-lhe treinamento Alvor.



É assim que, quatro anos depois, Tales se encontra em vigília no alto de uma igreja em Curitiba, seguindo as ordens de seu tutor. Apesar das ordens de apenas observar, ele acaba sendo forçado a usar seu arco para atacar o mestiço (descendente de orcs e humanos) que o percebeu ali, vigiando. Apesar de acertar seu alvo, Tales também é atacado e é aí que entram em cena os irmãos anões, Bro-Muir e Bro-Thum, que conseguem capturar Shkrenee, general da principal organização dos orcs e mestiços – a Mão Negra –, e levam tanto o mestiço quando Tales para Khur, a cidade dos anões no subterrâneo de Curitiba. Daí por diante, Tales se vê metido numa elaborada trama cheia de história (tanto Alvor quando humana) e traições, e a busca por um artefato decisivo para a luta entre orcs e mestiços versus elfos, encantados e anões.

 

Tales e Aer’delo são personagens interessantes e obviamente importantes, mas são os anões que tomam a cena (não digo que “roubam” porque acho que a intenção é que eles sejam legais mesmo). Os irmãos Bro e a família real são personagens maravilhosos, fortes e profundos o suficiente para criar uma certa conexão com eles. Bro-Thuim, o anão que acabamos conhecendo melhor, é o meu favorito tanto por sua personalidade quanto por sua família linda (sim, me apaixonei pela filhinha dele). Outro personagem que me chamou atenção foi o bardo humano Marcel, pupilo da elfa Aye’lena, que tem uma participação curta, mas bem marcante e um interlúdio só pra ele.



Por falar em interlúdio, esse é um recurso que Lauro usa com frequência para explicar fatos anteriores à história, mas com relevância para ela. Vi algumas resenhas criticando os flashbacks, mas eu, particularmente, gosto desse artifício. Neles, conhecemos melhor o relacionamento entre os irmãos Bro, mais detalhes sobre a Guerra, o passado de Marcel antes de conhecer sua bela mentora. Além disso, a escrita é sempre em terceira pessoa, tanto nos interlúdios quanto no restante do livro, e a escrita é agradável. As descrições são sempre ricas, especialmente para mostrar-nos as belezas de Khur, e as explicações não são forçadas, mas estão sempre ali para nos guiar pelo mundo, história e mitologia do mundo criado por Lauro.

O melhor de A Liga dos Artesãos é, no entanto, o realismo. O cuidado do autor em fazer tudo parecer real é incrível. A história da cidade de Khur sob a atual Curitiba é sensacional – tendo até uma explicação própria para o nome da capital paranaense –, assim como a ideia da Grande Guerra dos Alvores ocorrendo paralelamente às Grandes Guerras humanas. Os anões dirigindo Harley Davidson e usando casacos de couro pode parecer simples, mas dá ao livro um ar moderno e crível, assim como toda a tecnologia a vapor em oposição à humana (que não se dá muito bem com os Alvores). E, claro, o fato de usar locais da própria Curitiba nas cenas do livro, como o Passeio Público e a Praça Tiradentes, também dá um toque de realismo.


Outro detalhe é que o livro está cheio de referências à Literatura Fantástica, já que Tales (e Lauro) é fã do gênero. Já descobri que não achei todas, logo vou ter que ler de novo pra destacar as referências – com um post-it, porque eu não sou doida de riscar no livro.
Isso me lembra de falar sobre o visual do livro, que é incrível! A capa, para começar, é simples mas linda, imitando couro (com desgastes e tudo) e o símbolo da família real – os Bur – em relevo dourado. Dentro, o livro também conta com um punhado de ilustrações de Ericke Miranda, o que eu acho fenomenal. Adoro livros ilustrados desde que li Angus – o Primeiro Guerreiro (não que o livro seja tão bom assim, mas as imagens eram maravilhosas) e espero que meu próprio livro seja recheado de ilustrações também.


Voltando ao livro, tem mais uma coisa sobre a qual eu gostaria de falar: eu simplesmente adorei a ideia dos anões e elfos terem formas reais de rochas e árvores, respectivamente, no plano astral. Há também a questão dos elfos, como imortais, poderem optar por “adormecer” e se retirar para esse plano astral e deixar seu corpo vagando por aqui como uma casca vazia. O funcionamento dos Berserkers – grandes armaduras de guerra criadas por anões e elfos – também é muito criativo, mas não vou dar mais detalhes pra não correr o risco de dar maiores spoilers.

O autor e sua famosa barba azul
Enfim, minha sugestão é óbvia: leia A Liga dos Artesãos e tudo mais que Lauro escrever. Estações de Caça, novela passada no mesmo mundo mas em outra época, está em pré-venda na Amazon e vai sair apenas em formato digital, pelo menos por enquanto. Tales II, continuação de A Liga, está ainda em produção, mas já sabemos que conta com um prólogo que explica todas e quaisquer pontas soltas do final do primeiro volume. Repito: leia esse livro! Qualquer fã de fantasia vai se apaixonar pela história tanto quanto eu me apaixonei.
P.S.: O livro se chama A Liga dos Artesãos em homenagem ao grupo homônimo no enredo que se ocupa de manter a ordem e combater os avanços dos mestiços nas Américas, mas não se limita apenas a este continente. 

4 comentários:

  1. Com tantas boas recomendações, me interessou o livro! hehehehe

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  2. Oie, Mila!
    Eu amei o livro do Lauro. Que inveja de você por ter comprado direto com ele! Nessas horas não gosto muito de morar tão longe de Curitiba ): Ainda vou morar um dia aí, você vai ver. Esse lugar me fascina!
    Sobre o livro, também achei a dose de realidade que o Lauro colocou na obra um elemento fantástico a ser destacado. O modo como misturou Alvores e Encantados, orcs e mestiços não só à história do mundo, mas também à do Brasil, deu mais verossimilidade e consistência ao enredo. Além das citações dos pontos turísticos de Curitiba! Fiquei louca para conhecer todos.
    As referências a livros que conheço e amo também foram muito bem-vindas. Surpresas que me faziam sorrir no decorrer da leitura! Quanto à caracterização dos elfos e anões no plano etéreo: eu já falei para o Lauro o quanto achei isso massa e super criativo.
    Enfim, é um livro lindo que só nesse ano li duas vezes! hahahaha

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    1. Vou reler em breve só pra pegar todas as referências! Sei que deixei muitas passarem, mas já fiquei tri empolgada com as que eu achei!
      Tive sorte do Lauro vir aqui pra Porto Alegre na bendita Odisseia Literária, aí comprei pela página do livro e retirei com ele, sem frete ^^ Foi o mesmo dia que gastei uma pequena fortuna em livros de vários autores brasileiros e entrei de cabeça na literatura nacional.
      "A Liga dos Artesãos" (e "Estações de Caça") entraram pra minha lista de favoritos, com certeza. O Lauro tem um grande talento para misturar fantasia e realidade, que é uma coisa que eu prezo bastante - fantasia não deve ser inconcebível (por isso tenho raiva dos vampiros brilhantes e zumbis-aranha que escalam paredes).
      Enfim, tudo que sei é que mal posso esperar pelo "Tales II", a versão final de Haakon e o que mais o mundo de Alvores puder nos oferecer!!
      (Também fiquei com vontade de andar por Curitiba pra ver os "cenários", huhuhu)

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