sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Motivos para Ler (e Amar)... Tolkien!

Todos sabem (ou vão ficar sabendo agora) que John Ronald Reuel Tolkien - ou simplesmente J. R. R. Tolkien - é meu ídolo maior na literatura, do tipo "hors concours" mesmo. No post de hoje, que inaugura a coluna "Motivos para ler (e amar)...", vou tentar explicar porque todos devem ler as obras do Professor Tolkien.

The author of LOTR is JRR Tolkien. He`s also author of my favourite book "The Hobbit" and "The Silmarillion" 

Sim, gente, vai rolar um spoiler ou outro, mas duvido que vocês já não saibam como termina "O Senhor dos Anéis" (não, não vou dar spoilers TÃO maus assim, juro). Além disso, sou uma fã meio maníaca (tenho uma tattoo em homenagem a ele e pretendo fazer outras, fiz um glossário com todos personagens, lugares e acontecimentos marcantes de quase todos os livros...), então me perdoem se as explicações de cada motivo são meio longas - prometo que vale a pena ler :D

1 - Há livros pra todos os tipos de leitores de fantasia.


Temos "O Hobbit", mais simples, mais leve e mais rápido, com direito a dragões, anões, magos e muitas aranhas (que até têm praticamente um capítulo só delas, com direito a música do Bilbo). Esse é, na minha opinião, o melhor livro pra começar a ler Tolkien.
Depois vem "O Senhor dos Anéis", a trilogia que não é trilogia (como a maioria das pessoas sabe, o livro era pra ser volume único, mas a editora achou que não venderia tanto naquele formato e dividiu o livro em 3). Ninguém pode negar que "O Senhor dos Anéis" é uma das obras mais clássicas e populares de Alta Fantasia - só o próprio Tolkien, talvez, já que ele afirmava que sua história se passa da Europa "normal", seis mil anos atrás. Os temas do livro, no entanto, encaixam como uma luva nas definições mais comuns de Fantasia Épica. (Sorry, Professor.) A escrita aqui é mais densa, mais detalhista, o que muitos acham irritante e cansativo; eu, por outro lado, acho interessante pois me permite mergulhar de cabeça no mundo que Tolkien inventou, enxergar o que ele enxergou.
Para aqueles interessados na história por trás da história, Christopher Tolkien, filho do escritor, lançou "O Silmarillion", obra que reúne alguns dos relatos mais completos sobre as primeiras eras de Arda (a Terra). Nele, Tolkien narra a criação deste mundo, as batalhas dos Valar ("deuses" ou “anjos”, dependendo como tu encaras a história) contra Morgoth (O Primeiro Inimigo), o nascimento dos Elfos e Anões, o sugimento dos Homens, a ascenção e queda de muitos reinos. Temos também uma parte da história de Túrin Turambar, que foi melhor abordada em "Filhos de Húrin". "O Silmarillion", aliás, é o meu livro favorito, embora muitas pessoas o considerem maçante; eu já acho que é apenas uma questão de se acostumar à narrativa mais acadêmica e detalhista, mais séria do livro. Em suma, "O Silmarillion" é um vislumbre de um oceano aparentemente infindável que é o mundo de Tolkien.
Esse oceano pode ser mais desbravado na coleção "History of Middle-earth" (não disponível em português ainda), que, em seus 12 volumes, conta com praticamente tudo que Tolkien rabiscou sobre sua Arda, mesmo aquilo que não tinha conteúdo suficiente para ser transformado em livro por Christopher. "Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" é um aperitivo da coleção, mas retrata apenas histórias da Segunda Era do Sol, enquanto "HoMe" faz um estudo mais extensivo sobre tudo.
Mas Tolkien também sabe ser mais light. "A Última Canção de Bilbo" é um livro BEM fininho, com letras grandes e ilustrações. Na mesma linha, tem "Sr. Bliss" e "Cartas do Papai Noel", que reúne as cartas que Tolkien mandava como o Bom Velhinho para seus filhos - ambos os livros são cheios de aventuras, magia e um tom cômico.
Quer mais? Pois tem mais! Tem "Roverandom", o livro que Tolkien escreveu quando seu filho Christopher perdeu um cachorro de brinquedo numa viagem à praia. Para animar o filho, ele criou uma história sobre as aventuras de Rover, um cachorro de verdade que foi transformado em brinquedo por um mago.
Mais? "O Mestre Gil de Ham" é um livro sobre as aventuras do simples fazendeiro Gil de Ham que, com a ajuda de seu cachorro, de sua égua cinzenta e de uma espada, tem que acalmar um dragão.
Como esquecer "As Aventuras de Tom Bombadil", um livro sobre um dos personagens mais legais de "O Senhor dos Anéis" (e esquecido na adaptação cinematográfica)?
Saindo um pouco do campo criativo e entrando no técnico, temos "Árvore e Folha", "A Lenda de Sigurd e Gudrún" e "A Queda de Artur", livros que também foram lançados postumamente e mostram um pouco mais do lado professor de Tolkien.
Então, se você acha "O Senhor dos Anéis" muito complicado, que tal começar com "O Hobbit" ou "Mestre Gil de Ham"?

2 - O mundo que ele criou é o mais completo que já li (o que não significa que não existam outros igualmente bons).

Como filólogo de profissão e inventor de idiomas por hobby, Tolkien criou seres para falarem as línguas que ele inventava, e lugares e histórias para que esses seres pudessem viver. Em consequência, o Professor nos apresenta um mundo cheio de raças, "lendas" e locais verossímeis - e ainda aborda em cartas, rascunhos ou outros livros coisas que foram apenas citadas em algum outro lugar. Arda é uma Terra muito parecida com a nossa, mas com uma geografia e povos novos a serem explorados - e é por isso que aceito e gosto das descrições do autor. Tolkien nos permite, como eu disse antes, entrar em Arda e visitar Aman, a Terra Abençoada; desbravar a Terra-média, onde a maior parte de suas histórias se desenrolam, e conhecer Homens, Anões e uma boa parcela dos Elfos (além de Orcs, Hobbits, Dragões); conhecer as terras de Númenor, a efêmera Atalanta, terra dos Homens que durou apenas uma Era, mas de onde vieram os grandes Reis de Gondor e Arnor.
Ok, não precisávamos conhecer TÃO bem cada planta e algumas árvores, mas Tolkien era apaixonado por florestas e a vida campestre (tanto que "era" um Hobbit), então eu posso perdoá-lo pelos parágrafos onde descreve rios e trilhas e florestas, e aproveitar essa "falha" para montar os cenários na minha mente e desfrutar das belezas de Lothlórien com a grande Galadriel ou do Condado com Samwise.

3 - Os personagens podem não ser os mais "realistas", mas todos experimentam o Bem e o Mal dentro de si e evoluem (ou não) com isso.

O trio mais conhecido de Tolkien ("O Silmarillion", "O Hobbit" e o "O Senhor dos Anéis") tem esse como tema, na verdade: a luta entre forças do Bem e do Mal pela Terra-média (ou o mundo todo, no caso de "O Silmarillion") - e essa é uma das principais razões para que suas obras sejam consideradas Alta Fantasia à revelia do autor. Estamos falando aqui não só da luta interna que todo ser humano (ou hobbit ou elfo ou "deus/anjo") enfrenta para escolher entre o certo e o errado, mas a luta pelo bem de toda a humanidade, de todos os povos e de todos os reinos; a luta para que o Mal não destrua a beleza e a bondade que ainda há no mundo. Tanto é que Tolkien desistiu de escrever uma continuação para "O Senhor dos Anéis" porque, com o Mal vencido em "O Retorno do Rei" (nem vem que não dá mais pra considerar isso spoiler!), esse livro trataria apenas da escuridão que habita o ser humano, e não era sobre isso que ele queria escrever.
Lady Galadriel - Lord of the RingsNão há grande diversidade de etnias ou de gênero, eu concordo. MAS, levemos em consideração a época em que o livro foi escrito e a região que ele pretendia retratar. Como um homem nascido no século RETRASADO, Tolkien tinha visões diferentes do que consideramos óbvio hoje em dia. Não temos "mulheres fodonas" no sentido que é comum em fantasias mais recentes; as personagens femininas são poderosas e incríveis, sim, mas num papel de mãe, padroeira e protetora. Até mesmo Éowyn, que tem um papel importantíssimo como guerreira, volta ao papel de "donzela" ao encontrar sua felicidade. MAS, dentro da cultura da época, Tolkien trata as mulheres como seres etéreos e belos, ou fortes e resistentes. Veja o caso de Galadriel, que é a ÚNICA personagem que nos acompanha do nascimento dos elfos até a partida de seu povo de volta às Terras Abençoadas. Ela é praticamente endeusada nos livros, e é forte, sábia e poderosa, apesar de não ser uma guerreira. Lúthien, o ser mais belo a pisar no mundo, era a homenagem de Tolkien à sua esposa, e a história dela e de Beren (representando o próprio Tolkien) é uma das mais belas de todas; Lúthien tem um papel mais ativo e, mesmo sem ser uma guerreira, ela consegue salvar seu amado mais de uma vez.
Sobre as etnias: tenha em mente que Tolkien estava criando um passado fantástico para a Europa. Não que esteja CERTO, mas faz sentido que os personagens sejam majoritariamente brancos e que outros povos, etnicamente diferentes, fossem inimigos - guerras entre povos eram comuns (e ainda são), logo os estrangeiros eram considerados invasores e, por conseguinte, maus. Tolkien não foi inclusivo, mas também não acho que tenha agido por preconceito.

4 - As mensagens são realmente bonitas e os temas, atemporais: amizade, amor, humildade, esperança, respeito, paciência, fé.

"You carry the fate of us all, little one. If this indeed the will of the council. Then Gondor will see it done."Arwen and Aragorn - Lord of the Rings - by Matthew Stewart

Desses, acredito que amizade seja o tema central de "O Hobbit" e de "O Senhor dos Anéis" (e creio que também seja nos livros mais leves, mas ainda não consegui ler todos); embora Tolkien não escreva muito sobre romances, seus personagens são todos movidos por amor e lealdade (ou ódio, inveja e traição, que são apenas a falta dos outros dois). Em "O Senhor dos Anéis", por exemplo, é por causa disso que Sam e Frodo chegam tão longe, que Aragorn, Legolas e Gimli percorrem centenas de quilômetros atrás de Merry e Pippin, que Merry e Éowyn se juntam para mostrar seu valor. Honra e amor (o que é amizade senão amor?) movem a todos em suas obras.

5 - O quinto motivo é mais um resumo, na verdade.
Por mais que Tolkien tenha sido um amante inegável da vida sossegada do campo, seus personagens, mesmo que comuns no começo , são sempre levados à grandeza e grandes aventuras. E são essas aventuras o melhor de tudo – a segunda melhor coisa, na verdade. As histórias e o mundo (ou os mundos, se considerar as outras obras dele, que não se passam em Arda) que vieram da mente de J. R. R. Tolkien estão entre os melhores de toda fantasia. Se isso não bastasse, temos dragões inteligentíssimos (e malignos), heróis de todas as raças (das menores às maiores), animais magníficos, batalhas épicas, vilões poderosos e até mistérios (ninguém sabe o que é Tom Bombadil, a propósito).



Além de tudo isso, “O Senhor dos Anéis” tem uma das melhores adaptações cinematográficas que eu vi. Tirando algumas viagens do Peter Jackson, a essência da história está lá e as três partes estão na lista de filmes que todos devem assistir pelo menos uma vez na vida. Mas, se você nunca ler os livros, não vai conhecer Tom Bombadil e Fruta D’ouro, nem o verdadeiro final INCRÍVEL de Saruman e Gríma, ou a boa índole de Faramir, filho de Denethor. Leia os livros e entenda porque pessoas malucas (como eu) acham um absurdo a elfa inventada por P. J. para as adaptações de “O Hobbit” tenha cabelos ruivos, e descubra porque é tão maravilhoso e surpreendente o ato de Galadriel dar três fios de seu cabelo para Gimli.

Enfim, leia os livros e entenda porque há tantas pessoas, como eu, apaixonadas pelas obras de Tolkien.

Morgoth and Fingolfin 2 in Tolkien's Middle-Earth Fan Art
Leia "O Silmarillion" e entenda porque essa cena é épica!!

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P.S.: Encontrei as imagens usadas nesse post no Pinterest e na busca por imagens no Google. Nenhuma imagem me pertence, mas não encontrei o nome dos artistas responsáveis.

3 comentários:

  1. Ficou incrível seu post, Camila!! Se eu já não fosse uma super fã de Tolkien, certamente iria agora procurar suas obras para ser iniciada nesse mundo!
    Acho Sauron um dos melhores "vilões" já criados com suas quedas e retornos, até o "confinamento" em Barad-dûr.
    Preciso muito reler LOTR, pois li com 14 anos e acho que muitas coisas deixei passar!

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  2. Camila, tu sabes que eu tenho um carinho muito grande por Tolkien e, com certeza, ele é um dos autores que mais admiro. Sua fantasia me passa uma tranquilidade e me sinto muito segura e contente ao ler seus livros. Agora estou lendo mais uma vez O Silmarillion e esta leitura está sendo bastante proveitosa, já que da primeira vez eu não tinha nenhum conhecimento prévio sobre a Terra-média. Ainda estou com meus planos de reler O Hobbit em inglês dessa vez! Você é formada em inglês, não é? Será que vale a pena eu me arriscar nesse projeto?

    Bom, acho a mensagem de amizade passada por essa história extremamente bela e é muito provável que seja isso que me encante tanto em LOTR. Gostei muito de ler sua defesa em relação ao gênero feminino nas obras do Tolkien, pois este é um aspecto que eu já havia percebido em discussões anteriores e que acabava me causando confusão e desconfiança. Enfim, parabéns pelo ótimo post! Acredito fortemente que Tolkien ficaria feliz por ser tão admirado por você!

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  3. Eu acabei amando esses livros por teu intermédio!

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