quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Conhecendo os Escritores Nacionais 04: Janayna Pin

Oi, pessoal! Este ano conheci muitos livros incríveis, ideias geniais e escritores sensacionais através do CAF - Clube de Autores de Fantasia, grupo do Facebook focado na interação entre escritores deste gênero. Uma dessas pessoas é a mente por trás de Lobo de Rua, excelente novela que terá sua resenha publicada aqui ainda esse mês (e que já foi resenhada no Me Livrando), e do muito aguardado A Galeria Creta, seu projeto em andamento. Além de uma autora maravilhosa, ela também é super querida e uma amiga que quero levar para a vida toda.
Sem mais delongas, fiquem com a entrevista de Janayna Pin, a Jana!


Cami: Para começar, que tal uma mini-autobiografia? Nada de mais: nome, idade, aniversário (quem sabe rolam uns presentes! ^^), cidade, formação... Enfim, o que você achar relevante!

Jana: Meu nome é Janayna, mas todo mundo me chama de Jana. Nasci em 20 de abril de 1989, em Campinas. Hoje moro em Paulínia, que é uma cidade menor, bem do lado de Campinas. No colegial, decidi fazer Técnico em Alimentos no Colégio Técnico da Unicamp. Mesmo me interessando também por várias áreas das Humanas, decidi continuar a carreira e, em 2013, me formei em Engenharia de Alimentos, também na Unicamp. Quando estava no quarto ano, fiz um intercâmbio na Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, e quando voltei consegui um estágio em Projetos na Unilever. Assim que me formei fui contratada, e trabalho como Engenheira de Projetos na unidade de Valinhos até hoje. Amo viajar! Desde 2009 faço mochilões, e por sorte meu emprego também exige algumas viagens pra fora do país. Juntando as viagens que fiz a trabalho e a lazer, já visitei 14 países na América, Europa e Ásia, grande parte sozinha. Nem preciso dizer que sempre reservo um espacinho na mala pra trazer livros dos lugares que visito... Hehe... Além de ler e escrever, eu também gosto de desenhar, cozinhar... E comer, claro! Tenho 1,56m e pouco talento pros esportes, então desconfio que sou um hobbit. E do tipo viajante aventureiro, ainda por cima, o que acho que é um bom sinal. :D

A LEITORA

C: Quais são seus autores favoritos (nacionais e/ou estrangeiros)?
J: Stephen King, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Terry Pratchett, J. K. Rowling, Haruki Murakami, Gabriel García Márquez. Dos brasileiros, meu preferido é o Eric Novello, mas gosto também do André Vianco e Eduardo Spohr (principalmente dos últimos livros deles)... Ah, e preciso citar o Maurício de Sousa. Ele é e sempre será meu ídolo-mor de todo o cenário cultural do Brasil.

C: Lembras qual foi o livro que te fez gostar de ler?
J: Eu leio muito, desde muito nova. Quando estava na segunda série, terminei de ler todos os livros da biblioteca pra minha faixa etária, antes do fim do ano. Minha mãe sempre foi super antenada, então ela assinou uma autorização pra que eu pudesse ler qualquer livro da biblioteca. Então, como esse histórico vem de antes do primário, não lembro exatamente do livro que me despertou essa paixão pela leitura. Mas lembro muito bem dos livros que me fizeram enveredar pela fantasia: entre os nove e os onze anos, li (entre outros, é claro) A História Sem Fim, o Hobbit, A Bússola Dourada e Harry Potter. Foram suficientes pra me deixar completamente apaixonada pela fantasia.


C: Qual é o gênero literário que tu lês com mais frequência?
J: Eu sou bem eclética: leio tanto ficção (fantasia, ficção científica, horror, policial, thriller) quanto não-ficção (biografias, livros de ciência, crônicas, mitologia). Mas desde sempre pendi para a fantasia... Hoje, como estou escrevendo coisas no gênero, também, estou lendo bem mais fantasia do que qualquer outro gênero, intercalado com um ou outro livro de não-ficção.

C: Existe algum livro que tu aches tão incrível que tu gostarias de ter escrito?
J: Sem dúvida nenhuma, gostaria de ter escrito O Nome do Vento. Não é o subgênero da fantasia que eu mais amo, não tem nada a ver com o que eu escrevo... Mas foi bem isso o que eu pensei quando terminei de ler: queria ter escrito esse livro. O livro é lindo, criativo, artístico... Lembro que depois de ler o livro li uma crítica ao livro que o classificava como “o primeiro livro que todo autor sonha em escrever”. :D

A AUTORA

C; O que te motivou a começar a escrever?
J: Tenho uma irmã mais nova, e o que a gente mais gostava de fazer era brincar de “aventura”. A gente criava uma história de aventura e ia explorando o quintal, fugindo dos monstros, fazendo remédios com as plantas da minha mãe... Hehe... Um dia, resolvi que eu ia escrever e desenhar uma das aventuras... E aí, já era. Meus pais notaram meu interesse e começaram a me incentivar, de modo que escrever se tornou a minha brincadeira preferida por muito tempo. Quando entrei na faculdade, porém, comecei a ter vontade de escrever coisas mais estruturadas, com um propósito. Nessa época escrevi um monte de lixo, mesmo porque não tinha tempo pra nada, mas o importante é que sobrevivi a seis anos e meio de engenharia sem deixar morrer a minha vontade de um dia escrever um livro. Quando me formei, o tempo disponível aumentou consideravelmente e eu decidi, conscientemente, que iria escrever com o intuito de um dia publicar. Foi quando comecei a estudar, escrever mais e analisar os meus textos com um olhar mais crítico.

C: O que tu mais gostas de escrever (contos, poemas, horror, mistério...)?
J: Hoje, escrevo principalmente fantasia urbana. Adoro escrever contos, também! Meus contos geralmente também são de fantasia e realismo fantástico, de vários subgêneros, mas de vez em quando arrisco alguma coisa no horror, por exemplo. Tenho a intenção de um dia escrever ficção científica (uma pós-apocalíptica, provavelmente), policial e horror.

C: Quais são seus trabalhos já publicados?
J: Só tenho uma obra publicada: uma novela de 75 páginas de fantasia urbana chamada Lobo de Rua. Publiquei recentemente, em junho de 2015, na plataforma de auto-publicação da Amazon. Fora a novela, que conta uma história sobre dois lobisomens paulistanos, tenho um blog onde costumava publicar alguns contos de realismo fantástico. Era um projetinho pessoal no qual o objetivo era escrever contos curtos, em um dia, baseados no Google Doodle (o desenho que aparece na página de pesquisas do Google) daquele determinado dia. Depois passei os contos pro Wattpad, onde publiquei também um dos únicos contos que escrevi para um concurso, um conto sobre uma versão kaiju do boitatá.

C: A propósito, como surgiu a oportunidade da primeira publicação?
J: Como publiquei somente pela Amazon, não passei por todo o esforço de uma primeira publicação física. Mas o processo foi um pouco longo porque, quando decidi publicar, contratei um ilustrador para ilustrar a novela. Depois criei a página no Facebook pra já entrosar potenciais leitores e, só então, resolvi publicar. Vale dizer que a novela, apesar de contar uma história fechada, serve de prequela pro livro que estou escrevendo atualmente.


C: Além da publicação em meio físico e tradicional, publicas teus trabalhos em outros lugares (como Widbook, Wattpad, e-book independente pela Amazon)?
J: Como disse, ainda não tenho publicação física. De todo modo, a princípio não planejo uma publicação tradicional logo de cara. Me interessei muito pelo formato da publicação por financiamento coletivo pela possibilidade de participar do processo de preparo do livro do início ao fim. Também tenho umas ideias pra esse livro que acredito só serem possível em escala quase manual, como possibilitado pelo financiamento coletivo. Vejo no financiamento coletivo um caminho bem legal para engajamento de leitores, também.
(Atualização: a versão física de Lobo de Rua está na gráfica neste momento! Provavelmente estará disponível no início de setembro e foi produzido de forma independente)

C: Que projetos tens em mente para os próximos meses?
J: Pretendo terminar o meu primeiro livro, chamado A Galeria Creta, até o outubro de 2015. Como comentei, ele se passa no mesmo universo do Lobo de Rua. Na realidade, o protagonista do A Galeria Creta e a própria Galeria aparecem em Lobo de Rua, cujos acontecimentos se passam uns cinco anos antes dos acontecimentos do livro. É uma fantasia urbana passada em São Paulo, sobre um estabelecimento do submundo onde a realização de todos os tipos de desejos pode ser obtida, embora a preços nada módicos. Espero conseguir organizar minha campanha do Catarse para publicar o livro ainda no fim de 2015 ou começo de 2016. Assim que terminar o A Galeria Creta, pretendo escrever mais um livro nesse universo, especificamente sobre um dos lobisomens que protagoniza o Lobo de Rua. Pretendo tocar esse projeto em paralelo a um outro, uma releitura das lendas brasileiras. Esses são os planos pro fim desse ano e ano que vem, se tudo der certo! :D


C: E, finalmente, qual é o teu conselho para quem gosta de escrever e quer seguir esse caminho?

J: Bom, como ainda não tentei entrar em contato com editoras e não tenho publicação física, não tenho nenhuma experiência em publicação, marketing e distribuição, por exemplo. Não posso dar nenhum conselho concreto sobre esses assuntos, mas tenho uma lição aprendida que vem me ajudando muito: integre-se à uma comunidade com outros autores como você e mostre o que escreve a alguém. Acho que esse “conselho” serve pra todos os perfis de autores: é algo que pode ajudar tanto os bem autoconfiantes quanto os tímidos e perfeccionistas. Quando somos iniciantes, acho que os dois extremos podem ser prejudiciais: não é uma boa ideia escrever achando que vai lançar o próximo best-seller da fantasia ou, por outro lado, achando que nada do que escreve presta, e que nunca chegará a lugar nenhum. Por isso, é um bom negócio conversar sobre escrita e mercado e dividir o que escreve com outras pessoas, principalmente com aqueles que possam estar dispostos a criticar os seus textos sem compromisso nenhum. Por experiência própria, participar de comunidades no Facebook como o Clube de Autores de Fantasia é uma coisa essencial pra quem um dia pretende publicar: além de criar um networking super importante, é empolgante conversar com outras pessoas que passam pelo mesmo. Por outro lado, é um golpe de realidade muito bom, te faz estar ciente que existem muitas pessoas escrevendo muitas coisas legais por aí, assim como você.

2 comentários:

  1. Oi Mila!
    Eu não tinha ouvido falar dessa autora, mas lembro de já ter lido em algum lugar sobre Lobo de Rua.
    É sempre bom incentivarmos os autores nacionais. Eu peco muito nisso, poucas vezes dou a chance para um nacional, sempre opto por outro. Mas estou tentando melhorar nisso. Quem sabe eu não me empolgo e pesquiso mais sobre a Jana né. KKK.
    Adorei a entrevista!
    Beijos.

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  2. Resumindo a biografia da Jana, ela é uma Bolseiro! :D

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