quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Literatura em movimento 04 - Agosto

Oi, pessoal! Cá estou na morte súbita - ou seja, além dos minutos de prorrogação já - para trazer o meu texto de agosto do projeto Literatura em Movimento. Lembra do projeto? Ele é organizado pelos blogs Café com LivroDa Literatura e Sacudindo as Palavras.


O assunto do mês me levou a pensar um pouco. Será que alguma coisa mudou na minha vida por causa do Nerd Bubble?
Sim e não. “Não” porque eu não vivo do blog, ou seja, preciso cuidar dele apenas no meu horário livre, fazendo dele um hobby que eu amo muito (e levo a sério, lógico). Mas não me considero uma blogueira – sou apenas uma viciada em livros (e filmes, seriados, animações, quadrinhos e jogos) que decidiu criar um blog para partilhar com outros como eu as coisas que eu amo. Por isso o blog é mais voltado para a Literatura Fantástica: porque esse é o meu gênero que mais me atrai. Eu amo meu Nerd Bubble de paixão – tanto que não desisti dele mesmo diante da dificuldade de mantê-lo atualizado e de escrever também para o Literatortura –, mas meu tempo livre é muito, muito reduzido para (por exemplo) ler “Quem é você, Alaska?” só porque é um livro amplamente conhecido e a resenha poderia chamar a atenção; vou postar sobre aquilo que leio por prazer e torcer para que as pessoas se interessem pela minha opinião.
Apesar de não ter mudado meus hábitos de leitura, a blog mudou algumas coisas na minha vida, sim. Mudou um pouco minha rotina, porque tento desesperadamente encontrar um tempo livre para escrever as resenhas e análises de filmes e seriados que pretendo postar, para ler e assistir o que pretendo analisar, para criar colunas ou matérias que sejam interessantes. Fico pensando também no que poderia fazer para atrais mais leitores, mas sem tempo para uma divulgação ativa, constante e um tanto “agressiva”, isso fica quase impossível. De pouco em pouco, o blog ganhar mais seguidores, mais curtidas na página, mas é um crescimento lento. O que me importa não é o número ali nas estatísticas (que só serve para conseguir parcerias); o que queria mesmo é que houvessem mais leitores de verdade, pessoas que acompanhem o blog porque se identificam com o que encontram aqui.
Enfim, o Nerd Bubble mudou minha vida porque dedico a ele uma boa parte do meu tempo livre, porque conheci pessoas e blogs muito legais através dele (e desse projeto :D), porque posso divulgar aqui tanto o trabalho lindo dos escritores nacionais quanto dos escritores estrangeiros que me cativam. Aqui, aliás, posso falar sobre o que eu quiser, porque é a bolha que eu criei para envolver e proteger o mundo fantástico de escritos e nerdices para onde eu fujo quando a realidade é demais. Aqui, posso ser tão “nerd” quanto eu quiser e posso ainda, com sorte, encontrar outros apaixonados por livros como eu que queiram partilhar desse mundo que eu construí com livros de magia e guerreiros, filmes de super-heróis, seriados sobre caçadores e detetives. O blog – minha Nerd Bubble – embora receba muito menos atenção do que eu gostaria, não é parte de mim: é uma extensão de quem eu sou.

(E é por isso que não vou abandoná-lo mesmo que minha única leitora seja minha mãe – oi, mãe, te amo! <3 )

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Conhecendo os Escritores Nacionais 04: Janayna Pin

Oi, pessoal! Este ano conheci muitos livros incríveis, ideias geniais e escritores sensacionais através do CAF - Clube de Autores de Fantasia, grupo do Facebook focado na interação entre escritores deste gênero. Uma dessas pessoas é a mente por trás de Lobo de Rua, excelente novela que terá sua resenha publicada aqui ainda esse mês (e que já foi resenhada no Me Livrando), e do muito aguardado A Galeria Creta, seu projeto em andamento. Além de uma autora maravilhosa, ela também é super querida e uma amiga que quero levar para a vida toda.
Sem mais delongas, fiquem com a entrevista de Janayna Pin, a Jana!


Cami: Para começar, que tal uma mini-autobiografia? Nada de mais: nome, idade, aniversário (quem sabe rolam uns presentes! ^^), cidade, formação... Enfim, o que você achar relevante!

Jana: Meu nome é Janayna, mas todo mundo me chama de Jana. Nasci em 20 de abril de 1989, em Campinas. Hoje moro em Paulínia, que é uma cidade menor, bem do lado de Campinas. No colegial, decidi fazer Técnico em Alimentos no Colégio Técnico da Unicamp. Mesmo me interessando também por várias áreas das Humanas, decidi continuar a carreira e, em 2013, me formei em Engenharia de Alimentos, também na Unicamp. Quando estava no quarto ano, fiz um intercâmbio na Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, e quando voltei consegui um estágio em Projetos na Unilever. Assim que me formei fui contratada, e trabalho como Engenheira de Projetos na unidade de Valinhos até hoje. Amo viajar! Desde 2009 faço mochilões, e por sorte meu emprego também exige algumas viagens pra fora do país. Juntando as viagens que fiz a trabalho e a lazer, já visitei 14 países na América, Europa e Ásia, grande parte sozinha. Nem preciso dizer que sempre reservo um espacinho na mala pra trazer livros dos lugares que visito... Hehe... Além de ler e escrever, eu também gosto de desenhar, cozinhar... E comer, claro! Tenho 1,56m e pouco talento pros esportes, então desconfio que sou um hobbit. E do tipo viajante aventureiro, ainda por cima, o que acho que é um bom sinal. :D

A LEITORA

C: Quais são seus autores favoritos (nacionais e/ou estrangeiros)?
J: Stephen King, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Terry Pratchett, J. K. Rowling, Haruki Murakami, Gabriel García Márquez. Dos brasileiros, meu preferido é o Eric Novello, mas gosto também do André Vianco e Eduardo Spohr (principalmente dos últimos livros deles)... Ah, e preciso citar o Maurício de Sousa. Ele é e sempre será meu ídolo-mor de todo o cenário cultural do Brasil.

C: Lembras qual foi o livro que te fez gostar de ler?
J: Eu leio muito, desde muito nova. Quando estava na segunda série, terminei de ler todos os livros da biblioteca pra minha faixa etária, antes do fim do ano. Minha mãe sempre foi super antenada, então ela assinou uma autorização pra que eu pudesse ler qualquer livro da biblioteca. Então, como esse histórico vem de antes do primário, não lembro exatamente do livro que me despertou essa paixão pela leitura. Mas lembro muito bem dos livros que me fizeram enveredar pela fantasia: entre os nove e os onze anos, li (entre outros, é claro) A História Sem Fim, o Hobbit, A Bússola Dourada e Harry Potter. Foram suficientes pra me deixar completamente apaixonada pela fantasia.


C: Qual é o gênero literário que tu lês com mais frequência?
J: Eu sou bem eclética: leio tanto ficção (fantasia, ficção científica, horror, policial, thriller) quanto não-ficção (biografias, livros de ciência, crônicas, mitologia). Mas desde sempre pendi para a fantasia... Hoje, como estou escrevendo coisas no gênero, também, estou lendo bem mais fantasia do que qualquer outro gênero, intercalado com um ou outro livro de não-ficção.

C: Existe algum livro que tu aches tão incrível que tu gostarias de ter escrito?
J: Sem dúvida nenhuma, gostaria de ter escrito O Nome do Vento. Não é o subgênero da fantasia que eu mais amo, não tem nada a ver com o que eu escrevo... Mas foi bem isso o que eu pensei quando terminei de ler: queria ter escrito esse livro. O livro é lindo, criativo, artístico... Lembro que depois de ler o livro li uma crítica ao livro que o classificava como “o primeiro livro que todo autor sonha em escrever”. :D

A AUTORA

C; O que te motivou a começar a escrever?
J: Tenho uma irmã mais nova, e o que a gente mais gostava de fazer era brincar de “aventura”. A gente criava uma história de aventura e ia explorando o quintal, fugindo dos monstros, fazendo remédios com as plantas da minha mãe... Hehe... Um dia, resolvi que eu ia escrever e desenhar uma das aventuras... E aí, já era. Meus pais notaram meu interesse e começaram a me incentivar, de modo que escrever se tornou a minha brincadeira preferida por muito tempo. Quando entrei na faculdade, porém, comecei a ter vontade de escrever coisas mais estruturadas, com um propósito. Nessa época escrevi um monte de lixo, mesmo porque não tinha tempo pra nada, mas o importante é que sobrevivi a seis anos e meio de engenharia sem deixar morrer a minha vontade de um dia escrever um livro. Quando me formei, o tempo disponível aumentou consideravelmente e eu decidi, conscientemente, que iria escrever com o intuito de um dia publicar. Foi quando comecei a estudar, escrever mais e analisar os meus textos com um olhar mais crítico.

C: O que tu mais gostas de escrever (contos, poemas, horror, mistério...)?
J: Hoje, escrevo principalmente fantasia urbana. Adoro escrever contos, também! Meus contos geralmente também são de fantasia e realismo fantástico, de vários subgêneros, mas de vez em quando arrisco alguma coisa no horror, por exemplo. Tenho a intenção de um dia escrever ficção científica (uma pós-apocalíptica, provavelmente), policial e horror.

C: Quais são seus trabalhos já publicados?
J: Só tenho uma obra publicada: uma novela de 75 páginas de fantasia urbana chamada Lobo de Rua. Publiquei recentemente, em junho de 2015, na plataforma de auto-publicação da Amazon. Fora a novela, que conta uma história sobre dois lobisomens paulistanos, tenho um blog onde costumava publicar alguns contos de realismo fantástico. Era um projetinho pessoal no qual o objetivo era escrever contos curtos, em um dia, baseados no Google Doodle (o desenho que aparece na página de pesquisas do Google) daquele determinado dia. Depois passei os contos pro Wattpad, onde publiquei também um dos únicos contos que escrevi para um concurso, um conto sobre uma versão kaiju do boitatá.

C: A propósito, como surgiu a oportunidade da primeira publicação?
J: Como publiquei somente pela Amazon, não passei por todo o esforço de uma primeira publicação física. Mas o processo foi um pouco longo porque, quando decidi publicar, contratei um ilustrador para ilustrar a novela. Depois criei a página no Facebook pra já entrosar potenciais leitores e, só então, resolvi publicar. Vale dizer que a novela, apesar de contar uma história fechada, serve de prequela pro livro que estou escrevendo atualmente.


C: Além da publicação em meio físico e tradicional, publicas teus trabalhos em outros lugares (como Widbook, Wattpad, e-book independente pela Amazon)?
J: Como disse, ainda não tenho publicação física. De todo modo, a princípio não planejo uma publicação tradicional logo de cara. Me interessei muito pelo formato da publicação por financiamento coletivo pela possibilidade de participar do processo de preparo do livro do início ao fim. Também tenho umas ideias pra esse livro que acredito só serem possível em escala quase manual, como possibilitado pelo financiamento coletivo. Vejo no financiamento coletivo um caminho bem legal para engajamento de leitores, também.
(Atualização: a versão física de Lobo de Rua está na gráfica neste momento! Provavelmente estará disponível no início de setembro e foi produzido de forma independente)

C: Que projetos tens em mente para os próximos meses?
J: Pretendo terminar o meu primeiro livro, chamado A Galeria Creta, até o outubro de 2015. Como comentei, ele se passa no mesmo universo do Lobo de Rua. Na realidade, o protagonista do A Galeria Creta e a própria Galeria aparecem em Lobo de Rua, cujos acontecimentos se passam uns cinco anos antes dos acontecimentos do livro. É uma fantasia urbana passada em São Paulo, sobre um estabelecimento do submundo onde a realização de todos os tipos de desejos pode ser obtida, embora a preços nada módicos. Espero conseguir organizar minha campanha do Catarse para publicar o livro ainda no fim de 2015 ou começo de 2016. Assim que terminar o A Galeria Creta, pretendo escrever mais um livro nesse universo, especificamente sobre um dos lobisomens que protagoniza o Lobo de Rua. Pretendo tocar esse projeto em paralelo a um outro, uma releitura das lendas brasileiras. Esses são os planos pro fim desse ano e ano que vem, se tudo der certo! :D


C: E, finalmente, qual é o teu conselho para quem gosta de escrever e quer seguir esse caminho?

J: Bom, como ainda não tentei entrar em contato com editoras e não tenho publicação física, não tenho nenhuma experiência em publicação, marketing e distribuição, por exemplo. Não posso dar nenhum conselho concreto sobre esses assuntos, mas tenho uma lição aprendida que vem me ajudando muito: integre-se à uma comunidade com outros autores como você e mostre o que escreve a alguém. Acho que esse “conselho” serve pra todos os perfis de autores: é algo que pode ajudar tanto os bem autoconfiantes quanto os tímidos e perfeccionistas. Quando somos iniciantes, acho que os dois extremos podem ser prejudiciais: não é uma boa ideia escrever achando que vai lançar o próximo best-seller da fantasia ou, por outro lado, achando que nada do que escreve presta, e que nunca chegará a lugar nenhum. Por isso, é um bom negócio conversar sobre escrita e mercado e dividir o que escreve com outras pessoas, principalmente com aqueles que possam estar dispostos a criticar os seus textos sem compromisso nenhum. Por experiência própria, participar de comunidades no Facebook como o Clube de Autores de Fantasia é uma coisa essencial pra quem um dia pretende publicar: além de criar um networking super importante, é empolgante conversar com outras pessoas que passam pelo mesmo. Por outro lado, é um golpe de realidade muito bom, te faz estar ciente que existem muitas pessoas escrevendo muitas coisas legais por aí, assim como você.

domingo, 16 de agosto de 2015

REVIEW: A Liga dos Artesãos

Cá estou de volta, com mais um livro nacional MARAVILHOSO que comprei na Odisséia de Literatura Fantástica aqui de Porto Alegre, direito das mãos do autor curitibano, Lauro Kociuba. Devido aos constantes elogios e belas críticas, passei este livro na frente de vários livros na minha lista e o devorei rapidamente – em dois ou três dias. Estou devendo a resenha há meses já, porque queria escrever uma à altura desse livro incrível. Não sei se cheguei no nível que queria, mas vou pelo menos explicar os motivos pelos quais me apaixonei por A Liga dos Artesãos.


A Liga dos Artesãos
 Autor: Lauro Kociuba
Autopublicado pelo Catarse
Número de páginas: 270 com os Extras
Nota da Cami: 4,5/5 
Primeiro volume de Alvores

O livro começa com um rápido prólogo que explica em linhas gerais o que são os Alvores (seres “místicos” como elfos, anões e orcs) e Encantados (descendentes de elfos com humanos), além de mostrar um pouco sobre terreno sobre o qual o livro se desenvolve: os Alvores estão enfraquecidos, principalmente em números e depois da Grande Guerra, a qual aconteceu em paralelo com as duas Grande Guerras Mundiais humanas e decidiu o rumo de todos. Neste mesmo prólogo, os elfos tomaram a decisão de sair em busca de outros elfos e encantados pelo mundo; Aer’delo, um dos três elfos presentes no encontro, foi designado para as Américas e foi escolhido pelos pais de Tales (nosso protagonista) para dar-lhe treinamento Alvor.



É assim que, quatro anos depois, Tales se encontra em vigília no alto de uma igreja em Curitiba, seguindo as ordens de seu tutor. Apesar das ordens de apenas observar, ele acaba sendo forçado a usar seu arco para atacar o mestiço (descendente de orcs e humanos) que o percebeu ali, vigiando. Apesar de acertar seu alvo, Tales também é atacado e é aí que entram em cena os irmãos anões, Bro-Muir e Bro-Thum, que conseguem capturar Shkrenee, general da principal organização dos orcs e mestiços – a Mão Negra –, e levam tanto o mestiço quando Tales para Khur, a cidade dos anões no subterrâneo de Curitiba. Daí por diante, Tales se vê metido numa elaborada trama cheia de história (tanto Alvor quando humana) e traições, e a busca por um artefato decisivo para a luta entre orcs e mestiços versus elfos, encantados e anões.

 

Tales e Aer’delo são personagens interessantes e obviamente importantes, mas são os anões que tomam a cena (não digo que “roubam” porque acho que a intenção é que eles sejam legais mesmo). Os irmãos Bro e a família real são personagens maravilhosos, fortes e profundos o suficiente para criar uma certa conexão com eles. Bro-Thuim, o anão que acabamos conhecendo melhor, é o meu favorito tanto por sua personalidade quanto por sua família linda (sim, me apaixonei pela filhinha dele). Outro personagem que me chamou atenção foi o bardo humano Marcel, pupilo da elfa Aye’lena, que tem uma participação curta, mas bem marcante e um interlúdio só pra ele.



Por falar em interlúdio, esse é um recurso que Lauro usa com frequência para explicar fatos anteriores à história, mas com relevância para ela. Vi algumas resenhas criticando os flashbacks, mas eu, particularmente, gosto desse artifício. Neles, conhecemos melhor o relacionamento entre os irmãos Bro, mais detalhes sobre a Guerra, o passado de Marcel antes de conhecer sua bela mentora. Além disso, a escrita é sempre em terceira pessoa, tanto nos interlúdios quanto no restante do livro, e a escrita é agradável. As descrições são sempre ricas, especialmente para mostrar-nos as belezas de Khur, e as explicações não são forçadas, mas estão sempre ali para nos guiar pelo mundo, história e mitologia do mundo criado por Lauro.

O melhor de A Liga dos Artesãos é, no entanto, o realismo. O cuidado do autor em fazer tudo parecer real é incrível. A história da cidade de Khur sob a atual Curitiba é sensacional – tendo até uma explicação própria para o nome da capital paranaense –, assim como a ideia da Grande Guerra dos Alvores ocorrendo paralelamente às Grandes Guerras humanas. Os anões dirigindo Harley Davidson e usando casacos de couro pode parecer simples, mas dá ao livro um ar moderno e crível, assim como toda a tecnologia a vapor em oposição à humana (que não se dá muito bem com os Alvores). E, claro, o fato de usar locais da própria Curitiba nas cenas do livro, como o Passeio Público e a Praça Tiradentes, também dá um toque de realismo.


Outro detalhe é que o livro está cheio de referências à Literatura Fantástica, já que Tales (e Lauro) é fã do gênero. Já descobri que não achei todas, logo vou ter que ler de novo pra destacar as referências – com um post-it, porque eu não sou doida de riscar no livro.
Isso me lembra de falar sobre o visual do livro, que é incrível! A capa, para começar, é simples mas linda, imitando couro (com desgastes e tudo) e o símbolo da família real – os Bur – em relevo dourado. Dentro, o livro também conta com um punhado de ilustrações de Ericke Miranda, o que eu acho fenomenal. Adoro livros ilustrados desde que li Angus – o Primeiro Guerreiro (não que o livro seja tão bom assim, mas as imagens eram maravilhosas) e espero que meu próprio livro seja recheado de ilustrações também.


Voltando ao livro, tem mais uma coisa sobre a qual eu gostaria de falar: eu simplesmente adorei a ideia dos anões e elfos terem formas reais de rochas e árvores, respectivamente, no plano astral. Há também a questão dos elfos, como imortais, poderem optar por “adormecer” e se retirar para esse plano astral e deixar seu corpo vagando por aqui como uma casca vazia. O funcionamento dos Berserkers – grandes armaduras de guerra criadas por anões e elfos – também é muito criativo, mas não vou dar mais detalhes pra não correr o risco de dar maiores spoilers.

O autor e sua famosa barba azul
Enfim, minha sugestão é óbvia: leia A Liga dos Artesãos e tudo mais que Lauro escrever. Estações de Caça, novela passada no mesmo mundo mas em outra época, está em pré-venda na Amazon e vai sair apenas em formato digital, pelo menos por enquanto. Tales II, continuação de A Liga, está ainda em produção, mas já sabemos que conta com um prólogo que explica todas e quaisquer pontas soltas do final do primeiro volume. Repito: leia esse livro! Qualquer fã de fantasia vai se apaixonar pela história tanto quanto eu me apaixonei.
P.S.: O livro se chama A Liga dos Artesãos em homenagem ao grupo homônimo no enredo que se ocupa de manter a ordem e combater os avanços dos mestiços nas Américas, mas não se limita apenas a este continente. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Motivos para Ler (e Amar)... Tolkien!

Todos sabem (ou vão ficar sabendo agora) que John Ronald Reuel Tolkien - ou simplesmente J. R. R. Tolkien - é meu ídolo maior na literatura, do tipo "hors concours" mesmo. No post de hoje, que inaugura a coluna "Motivos para ler (e amar)...", vou tentar explicar porque todos devem ler as obras do Professor Tolkien.

The author of LOTR is JRR Tolkien. He`s also author of my favourite book "The Hobbit" and "The Silmarillion" 

Sim, gente, vai rolar um spoiler ou outro, mas duvido que vocês já não saibam como termina "O Senhor dos Anéis" (não, não vou dar spoilers TÃO maus assim, juro). Além disso, sou uma fã meio maníaca (tenho uma tattoo em homenagem a ele e pretendo fazer outras, fiz um glossário com todos personagens, lugares e acontecimentos marcantes de quase todos os livros...), então me perdoem se as explicações de cada motivo são meio longas - prometo que vale a pena ler :D

1 - Há livros pra todos os tipos de leitores de fantasia.


Temos "O Hobbit", mais simples, mais leve e mais rápido, com direito a dragões, anões, magos e muitas aranhas (que até têm praticamente um capítulo só delas, com direito a música do Bilbo). Esse é, na minha opinião, o melhor livro pra começar a ler Tolkien.
Depois vem "O Senhor dos Anéis", a trilogia que não é trilogia (como a maioria das pessoas sabe, o livro era pra ser volume único, mas a editora achou que não venderia tanto naquele formato e dividiu o livro em 3). Ninguém pode negar que "O Senhor dos Anéis" é uma das obras mais clássicas e populares de Alta Fantasia - só o próprio Tolkien, talvez, já que ele afirmava que sua história se passa da Europa "normal", seis mil anos atrás. Os temas do livro, no entanto, encaixam como uma luva nas definições mais comuns de Fantasia Épica. (Sorry, Professor.) A escrita aqui é mais densa, mais detalhista, o que muitos acham irritante e cansativo; eu, por outro lado, acho interessante pois me permite mergulhar de cabeça no mundo que Tolkien inventou, enxergar o que ele enxergou.
Para aqueles interessados na história por trás da história, Christopher Tolkien, filho do escritor, lançou "O Silmarillion", obra que reúne alguns dos relatos mais completos sobre as primeiras eras de Arda (a Terra). Nele, Tolkien narra a criação deste mundo, as batalhas dos Valar ("deuses" ou “anjos”, dependendo como tu encaras a história) contra Morgoth (O Primeiro Inimigo), o nascimento dos Elfos e Anões, o sugimento dos Homens, a ascenção e queda de muitos reinos. Temos também uma parte da história de Túrin Turambar, que foi melhor abordada em "Filhos de Húrin". "O Silmarillion", aliás, é o meu livro favorito, embora muitas pessoas o considerem maçante; eu já acho que é apenas uma questão de se acostumar à narrativa mais acadêmica e detalhista, mais séria do livro. Em suma, "O Silmarillion" é um vislumbre de um oceano aparentemente infindável que é o mundo de Tolkien.
Esse oceano pode ser mais desbravado na coleção "History of Middle-earth" (não disponível em português ainda), que, em seus 12 volumes, conta com praticamente tudo que Tolkien rabiscou sobre sua Arda, mesmo aquilo que não tinha conteúdo suficiente para ser transformado em livro por Christopher. "Contos Inacabados de Númenor e da Terra-média" é um aperitivo da coleção, mas retrata apenas histórias da Segunda Era do Sol, enquanto "HoMe" faz um estudo mais extensivo sobre tudo.
Mas Tolkien também sabe ser mais light. "A Última Canção de Bilbo" é um livro BEM fininho, com letras grandes e ilustrações. Na mesma linha, tem "Sr. Bliss" e "Cartas do Papai Noel", que reúne as cartas que Tolkien mandava como o Bom Velhinho para seus filhos - ambos os livros são cheios de aventuras, magia e um tom cômico.
Quer mais? Pois tem mais! Tem "Roverandom", o livro que Tolkien escreveu quando seu filho Christopher perdeu um cachorro de brinquedo numa viagem à praia. Para animar o filho, ele criou uma história sobre as aventuras de Rover, um cachorro de verdade que foi transformado em brinquedo por um mago.
Mais? "O Mestre Gil de Ham" é um livro sobre as aventuras do simples fazendeiro Gil de Ham que, com a ajuda de seu cachorro, de sua égua cinzenta e de uma espada, tem que acalmar um dragão.
Como esquecer "As Aventuras de Tom Bombadil", um livro sobre um dos personagens mais legais de "O Senhor dos Anéis" (e esquecido na adaptação cinematográfica)?
Saindo um pouco do campo criativo e entrando no técnico, temos "Árvore e Folha", "A Lenda de Sigurd e Gudrún" e "A Queda de Artur", livros que também foram lançados postumamente e mostram um pouco mais do lado professor de Tolkien.
Então, se você acha "O Senhor dos Anéis" muito complicado, que tal começar com "O Hobbit" ou "Mestre Gil de Ham"?

2 - O mundo que ele criou é o mais completo que já li (o que não significa que não existam outros igualmente bons).

Como filólogo de profissão e inventor de idiomas por hobby, Tolkien criou seres para falarem as línguas que ele inventava, e lugares e histórias para que esses seres pudessem viver. Em consequência, o Professor nos apresenta um mundo cheio de raças, "lendas" e locais verossímeis - e ainda aborda em cartas, rascunhos ou outros livros coisas que foram apenas citadas em algum outro lugar. Arda é uma Terra muito parecida com a nossa, mas com uma geografia e povos novos a serem explorados - e é por isso que aceito e gosto das descrições do autor. Tolkien nos permite, como eu disse antes, entrar em Arda e visitar Aman, a Terra Abençoada; desbravar a Terra-média, onde a maior parte de suas histórias se desenrolam, e conhecer Homens, Anões e uma boa parcela dos Elfos (além de Orcs, Hobbits, Dragões); conhecer as terras de Númenor, a efêmera Atalanta, terra dos Homens que durou apenas uma Era, mas de onde vieram os grandes Reis de Gondor e Arnor.
Ok, não precisávamos conhecer TÃO bem cada planta e algumas árvores, mas Tolkien era apaixonado por florestas e a vida campestre (tanto que "era" um Hobbit), então eu posso perdoá-lo pelos parágrafos onde descreve rios e trilhas e florestas, e aproveitar essa "falha" para montar os cenários na minha mente e desfrutar das belezas de Lothlórien com a grande Galadriel ou do Condado com Samwise.

3 - Os personagens podem não ser os mais "realistas", mas todos experimentam o Bem e o Mal dentro de si e evoluem (ou não) com isso.

O trio mais conhecido de Tolkien ("O Silmarillion", "O Hobbit" e o "O Senhor dos Anéis") tem esse como tema, na verdade: a luta entre forças do Bem e do Mal pela Terra-média (ou o mundo todo, no caso de "O Silmarillion") - e essa é uma das principais razões para que suas obras sejam consideradas Alta Fantasia à revelia do autor. Estamos falando aqui não só da luta interna que todo ser humano (ou hobbit ou elfo ou "deus/anjo") enfrenta para escolher entre o certo e o errado, mas a luta pelo bem de toda a humanidade, de todos os povos e de todos os reinos; a luta para que o Mal não destrua a beleza e a bondade que ainda há no mundo. Tanto é que Tolkien desistiu de escrever uma continuação para "O Senhor dos Anéis" porque, com o Mal vencido em "O Retorno do Rei" (nem vem que não dá mais pra considerar isso spoiler!), esse livro trataria apenas da escuridão que habita o ser humano, e não era sobre isso que ele queria escrever.
Lady Galadriel - Lord of the RingsNão há grande diversidade de etnias ou de gênero, eu concordo. MAS, levemos em consideração a época em que o livro foi escrito e a região que ele pretendia retratar. Como um homem nascido no século RETRASADO, Tolkien tinha visões diferentes do que consideramos óbvio hoje em dia. Não temos "mulheres fodonas" no sentido que é comum em fantasias mais recentes; as personagens femininas são poderosas e incríveis, sim, mas num papel de mãe, padroeira e protetora. Até mesmo Éowyn, que tem um papel importantíssimo como guerreira, volta ao papel de "donzela" ao encontrar sua felicidade. MAS, dentro da cultura da época, Tolkien trata as mulheres como seres etéreos e belos, ou fortes e resistentes. Veja o caso de Galadriel, que é a ÚNICA personagem que nos acompanha do nascimento dos elfos até a partida de seu povo de volta às Terras Abençoadas. Ela é praticamente endeusada nos livros, e é forte, sábia e poderosa, apesar de não ser uma guerreira. Lúthien, o ser mais belo a pisar no mundo, era a homenagem de Tolkien à sua esposa, e a história dela e de Beren (representando o próprio Tolkien) é uma das mais belas de todas; Lúthien tem um papel mais ativo e, mesmo sem ser uma guerreira, ela consegue salvar seu amado mais de uma vez.
Sobre as etnias: tenha em mente que Tolkien estava criando um passado fantástico para a Europa. Não que esteja CERTO, mas faz sentido que os personagens sejam majoritariamente brancos e que outros povos, etnicamente diferentes, fossem inimigos - guerras entre povos eram comuns (e ainda são), logo os estrangeiros eram considerados invasores e, por conseguinte, maus. Tolkien não foi inclusivo, mas também não acho que tenha agido por preconceito.

4 - As mensagens são realmente bonitas e os temas, atemporais: amizade, amor, humildade, esperança, respeito, paciência, fé.

"You carry the fate of us all, little one. If this indeed the will of the council. Then Gondor will see it done."Arwen and Aragorn - Lord of the Rings - by Matthew Stewart

Desses, acredito que amizade seja o tema central de "O Hobbit" e de "O Senhor dos Anéis" (e creio que também seja nos livros mais leves, mas ainda não consegui ler todos); embora Tolkien não escreva muito sobre romances, seus personagens são todos movidos por amor e lealdade (ou ódio, inveja e traição, que são apenas a falta dos outros dois). Em "O Senhor dos Anéis", por exemplo, é por causa disso que Sam e Frodo chegam tão longe, que Aragorn, Legolas e Gimli percorrem centenas de quilômetros atrás de Merry e Pippin, que Merry e Éowyn se juntam para mostrar seu valor. Honra e amor (o que é amizade senão amor?) movem a todos em suas obras.

5 - O quinto motivo é mais um resumo, na verdade.
Por mais que Tolkien tenha sido um amante inegável da vida sossegada do campo, seus personagens, mesmo que comuns no começo , são sempre levados à grandeza e grandes aventuras. E são essas aventuras o melhor de tudo – a segunda melhor coisa, na verdade. As histórias e o mundo (ou os mundos, se considerar as outras obras dele, que não se passam em Arda) que vieram da mente de J. R. R. Tolkien estão entre os melhores de toda fantasia. Se isso não bastasse, temos dragões inteligentíssimos (e malignos), heróis de todas as raças (das menores às maiores), animais magníficos, batalhas épicas, vilões poderosos e até mistérios (ninguém sabe o que é Tom Bombadil, a propósito).



Além de tudo isso, “O Senhor dos Anéis” tem uma das melhores adaptações cinematográficas que eu vi. Tirando algumas viagens do Peter Jackson, a essência da história está lá e as três partes estão na lista de filmes que todos devem assistir pelo menos uma vez na vida. Mas, se você nunca ler os livros, não vai conhecer Tom Bombadil e Fruta D’ouro, nem o verdadeiro final INCRÍVEL de Saruman e Gríma, ou a boa índole de Faramir, filho de Denethor. Leia os livros e entenda porque pessoas malucas (como eu) acham um absurdo a elfa inventada por P. J. para as adaptações de “O Hobbit” tenha cabelos ruivos, e descubra porque é tão maravilhoso e surpreendente o ato de Galadriel dar três fios de seu cabelo para Gimli.

Enfim, leia os livros e entenda porque há tantas pessoas, como eu, apaixonadas pelas obras de Tolkien.

Morgoth and Fingolfin 2 in Tolkien's Middle-Earth Fan Art
Leia "O Silmarillion" e entenda porque essa cena é épica!!

 Confira os outros blogs que também estão escrevendo sobre "Motivos para ler..."!




P.S.: Encontrei as imagens usadas nesse post no Pinterest e na busca por imagens no Google. Nenhuma imagem me pertence, mas não encontrei o nome dos artistas responsáveis.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Conhecendo os Escritores Nacionais 03: V. M. Gonçalves

O autor de hoje já teve seu livro resenhado aqui e sou fã do trabalho dele. Gosto muito do jeito que ele escreve e do mundo que ele criou – Quatrocantos é um lugar maravilhoso, cheio de história e costumes, baseado em culturas que dificilmente vemos retratadas em livros nacionais. Além de um excelente escritor, é também um cara muito legal e divertido, com quem eu tenho a felicidade de poder “trocar figurinhas” praticamente todos os dias pelo Facebook.

Com vocês, meu amigo Vilson!


Cami: Para começar, que tal uma mini-autobiografia? Nada de mais: nome, idade, aniversário (quem sabe rolam uns presentes! ^^), cidade, formação... Enfim, o que você achar relevante!

Vilson: Me chamo Vilson André Moreira Gonçalves, tenho 29 anos (nascido em 19/12/1985) e sou natural de Ponta Grossa, Paraná. Sou professor de Arte, formado no curso de Licenciatura em Artes Visuais, pela UEPG, e mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná. Leciono nas redes pública e particular em minha região, criando mundos e escrevendo sobre eles nas horas vagas.


O LEITOR


C: Quais são seus autores favoritos (nacionais e/ou estrangeiros)?
V: Eiji Yoshikawa, T.H. White, M.K. Hume, J.R.R. Tolkien, Bernard Cornwell, Eduardo Spohr, Javier Negrete, Frances Sherwood.


C: Lembras qual foi o livro que te fez gostar de ler?
V: Musashi (Eiji Yoshikawa). Li o primeiro volume aos quinze anos e senti pela primeira vez uma relação de intimidade com um livro.



C: Qual é o genêro literário que tu lês com mais frequência?
V: Romance Histórico e Alta Fantasia.

C: Existe algum livro que tu aches tão incrível que tu gostarias de ter escrito?
V: A Espada na Pedra (T.H. White). É provavelmente a obra de fantasia mais linda que eu já li.


O AUTOR

C: O que te motivou a começar a escrever?
V: Penso que a vontade de contar histórias sempre esteve lá. Eu era uma criança irritante porque não podia conhecer ninguém sem querer contar alguma piada que eu tinha aprendido dois dias antes. Cursei Artes Visuais porque era o que eu pensava que mais me aproximaria das histórias que eu mais apreciava, nos quadrinhos, nas ilustrações dos livros infanto-juvenis e nos filmes. No Mestrado estudei narrativas também.
Para mim, então, contar histórias é algo inescapável. E a escrita é, sem dúvidas, a mídia mais prática para este fim. É algo que faço desde a quinta série, e que me traz um prazer imenso.

C: O que tu mais gostas de escrever (contos, poemas, horror, mistério...)?
V: Contos. Narrativas curtas, com desfechos rápidos, sem grandes compromissos, são sempre mais fáceis de manusear. Gosto de escrever histórias longas, porque dão mais satisfação à alma, mas elas também dão muito mais trabalho.
Com relação ao gênero, meu quinhão é a fantasia. Criar mundos é sempre uma experiência muito estimulante.

C: Quais são seus trabalhos já publicados?
V: Até o momento publiquei apenas um romance, O Homem de Azul e Púrpura, primeiro volume da saga A Canção de Quatrocantos, pela editora Buriti, em 2014. A história fala de um viajante que percorre Quatrocantos, uma versão fantástica do continente americano, povoada por mulheres guerreiras, feiticeiros, gigantes e duendes e aparições de várias espécies.

C: A propósito, como surgiu a oportunidade da primeira publicação?
V: Passei cerca de dez anos trabalhando na saga de Quatrocantos, e todo o ano de 2013 à procura de uma editora que demonstrasse interesse. Não foi uma tarefa fácil, já que a saga não incorpora muitos dos tropos tradicionais da Alta Fantasia: não tem elfos, anões ou dragões; em vez disso, trabalha com elementos do folclore das Américas, consideravelmente menos popular. Apenas depois de muita procura que consegui um contrato com a Buriti.

C: Além da publicação em meio físico e tradicional, publicas teus trabalhos em outros lugares?
V: Com frequência divulgo meus contos, que se passam no mesmo universo do romance, na página Contos Cabulosos (http://contoscabulosos.com.br/author/vilson-goncalves/).

C: Que projetos tens em mente para os próximos meses?
V: Pretendo lançar contos que se passam no universo de Quatrocantos em diversas coletâneas, cada uma com quatro contos e um tema central. A primeira já está disponível na Amazon sob o título Guerreiras do Sol e da Lua I , e foca nas nações hetá, tribos de mulheres guerreiras baseadas parcialmente nas icamiabas do folclore brasileiro.

C: E, finalmente, qual é o teu conselho para quem gosta de escrever e quer seguir esse caminho?
V: Escreva sobre aquilo que te dá paixão, e não faça de tudo para agradar um público que você ainda não conhece. Seja leal aos seus gostos e aos seus interesses, escolha uma área, pesquise e mergulhe fundo. Com sorte, você acabará tocando a alma de alguém ao contar a sua história, e essa é uma das conexões mais lindas que dois seres humanos podem ter.


E aí? Gostaram? Para quem se interessou, recomendo muito Guerreiras do Sol e da Lua I (disponível na Amazon) e, é claro, O Homem de Azul e Púrpura (cuja resenha tu encontras aqui e o ebook, aqui)!