sábado, 18 de julho de 2015

REVIEW: Strange Angels

Oi, pessoal! Hoje venho trazer uma resenha um pouco diferente; esta é sobre um livro que eu não tenho muitas coisas boas a dizer. Encontrei Strange Angels em uma promoção da Saraiva e fiquei encantada pela ideia, pela capa e pelo preço (R$9,90). Porém, minha experiência de leitura não foi tão boa quanto a de compra. Querem saber por quê? É só continuar lendo! 

Strange Angels

Autora: Lili St. Crow
Tradutor: Giorgio Capelli
Editora: Novo Século
Número de páginas: 284
Nota da Cami: 1/5
Primeiro livro da série Strange Angels

"Meu pai? Um zumbi. 
Minha mãe? Morreu faz tempo.
Eu? Bem… Essa é a parte assustadora. 

O Mundo Real é um lugar apavorante. Basta perguntar para Dru Anderson, uma órfã de 16 anos – garota durona que já acabou com sua parcela de bandidos. Ela está armada, é perigosa e está pronta para atirar primeiro e perguntar depois. Então, vai levar um tempo até que ela possa descobrir em quem confiar…

Dru Anderson se acha estranha por mais tempo do que é capaz de se lembrar. Ela viaja de cidade em cidade com seu pai, caçando coisas que nos aterrorizam à noite. Era uma vida bem esquisita, mas boa – até que tudo explode em uma cidade gélida e arruinada de Dakota, quando um zumbi faminto arromba a porta da cozinha.Sozinha, aterrorizada e sem saída, Dru vai precisar de cada pedacinho de sua esperteza e treinamento para continuar viva. Seres sobrenaturais decidiram ser os caçadores – e desta vez, Dru é a presa. Chance de sobrevivência? De pouca a nenhuma. 

Se ela não durar até amanhecer, acabou a brincadeira…

DRU ANDERSON NÃO TEM MEDO DO ESCURO, MAS DEVERIA."

   Quando eu li essa sinopse, fiquei muito empolgada com Strange Angels. Parecia que a história - muito semelhante à série de TV Supernatural (que eu ADORO!) - era exatamente meu tipo; centrada em uma adolescente treinada pelo pai pra combater “seres da noite”, como poderia ser ruim??
     Pois então... Lili St. Crow, com a ajuda do Sr. Tradutor, conseguiu tornar o livro em um dos piores que eu já li. Sério. Strange Angels está bem abaixo da série Crepúsculo na minha lista. Como isso aconteceu é o que eu vou tentar explicar agora. E vamos por partes, como diria Jack, o Estripador.

1 – A tradução é sofrível. Não sei se me parece tão ruim porque sou formada em Letras Inglês, mas eu quase abandonei a leitura por causa dela. Acho que é a pior tradução que eu já li, incluindo traduções feitas por amadores.
     Quer um exemplo? No capítulo 1, página 32, Dru está falando sobre o “Mundo Real” – aquele onde existem montros que ela e o pai caçam – e explica que, para achar um ser sobrenatural não basta ter intuição ou sair perguntando por acontecimentos e lugares estranhos, como “opoint dos lobisomens onde hambúrgueres não são só raros, são de carne crua”. Essa frase faz sentido? Hambúrgueres RAROS?? Então me dei conta que a frase em inglês tinha a palavra rare, que pode significar “raro”, é claro, mas também pode ser traduzido como “mal-passado” – o que faz muito mais sentido nesse contexto. COMO um tradutor profissional de uma editora conceituada não percebeu isso, eu não sei. E mais! Como o REVISOR deixou isso passar batido?? Enfim, esse é apenas um exemplo, o qual eu não consigo esquecer e que já usei mil vezes em sala de aula pra mostrar que devemos ter muito cuidado ao traduzir (cuidado que o Sr. Tradutor não teve).

Aí está o trecho dos "hambúrgueres raros"
     Além de erros como este, a tradução como um todo é muito literal. Pelo que percebi por reviews americanas no Goodreads, o texto de Lili St. Crow já era meio... estranho, e essas características foram mantidas (e ampliadas) na versão em português. 
   Um exemplo: a autora tentou deixar o texto leve e jovial, mas não foi muito feliz nas estratégias que usou. A versão em português cometeu a mesma bobagem, substituindo “vocês” por “cês”, usando “caraca” e coisas do tipo. Não que seja um pecado mortal, mas o texto em muitas partes soa meio falso e forçado ao invés de informal.

2 – Dru Anderson, a personagem principal, é uma verdadeira decepção. A imagem que tive dela pela sinopse era de uma garota forte, determinada, inteligente e preparada para lidar com os “monstros”. O que vi nas páginas de Strange Angels foi uma garota que se acha superior aos outros, cabeça-dura e um tanto maldosa. Ela se refere várias vezes a outros adolescentes como “crianças”, diz que as meninas que se preocupam com a aparência (ao contrário dela, que mal penteia os cabelos, porque tem coisas mais importantes com as quais se preocupar) merecem ser vítimas dos “monstros”... Tudo bem que ela já viu muitas coisas assustadoras, mas não precisa ser tão idiota.
      Além disso, a sinopse já nos avisa que Dru acabou de perder seu pai, o único familiar que ela tinha. Óbvio que eu esperava que aquilo fosse um baque emocional e que a abalasse, mas, ao invés de seguir em frente e focar em ficar viva e descobrir o que raios está acontecendo na vida dela, ela passa páginas e mais páginas perdida em pensamentos tristes e lembranças de seu pai, mãe e avó (os quais nem conhecemos), lamentando sua situação e chorando no ombro de alguém. Imagino que St. Crow tenha usado esse artifício para humanizar a personagem, torná-la mais carismática e vulnerável, para que o leitor simpatizasse com sua situação. Bem, não deu certo, pelo menos para mim. Ao contrário da maioria das personagens, não consegui empatizar com Dru. E olha que até com a Bella Swan eu me identifiquei (um pouco, afinal ela era desastrada também). Enfim, parece que a autora QUER que a personagem seja forte e “bad-ass”, mas Dru ainda não está nesse patamar.

3 – Graves e Christophe são os personagens secundários que dão apoio à Dru e formam o provável triângulo amoroso da série. Pra ser justa e honesta, não tenho muitro o que reclamar deles. Os dois são a parte mais agradável do livro, são personagens carismáticos e fáceis de gostar, ainda que um pouco clichê (especialmente o lindo e sabichão Christophe). Dru, no entanto, os trata mal na maior parte do tempo, principalmente o doce e compreensivo Graves. Por que eles querem ficar perto dela é algo que foge ao meu entendimento...

4 – A história em si tinha tanto potencial! Pai e filha lutando contra as vis criaturas da noite? Ótimo! A adolescente perde o pai e precisa se virar sozinha pra se manter viva e desvendar mistérios? Poxa, teria sido incrível se a personagem fosse menos irritante e St. Crow fosse mais hábil...
     Há incontáveis perguntas importantes ao longo do livro: Quem transformou o pai de Dru? Quem está atrás dela? Quem era, de verdade, sua mãe? Quais são, exatamente, seus poderes, sobre os quais ela não tem controle e que sua avó chamava de “o toque”??
     São diversos mistérios e recebemos pouquíssimas explicações e, as que recebemos, são no mínimo confusas e incompletas. Ok, é uma série e muitas respostas devem aparecer ao longo dela, mas o autor precisa nos dar algumas respostas pra nos manter interessados! Além disso, toda vez que a história começa a ficar mais empolgante e “ativa”, ela volta a ficar lenta e um tanto entendiante. Quando li a sinopse, imaginei que haveria ação por todos os lados. Engano meu! O que me parece é que Lili St. Crow teve uma excelente idea para sua história e personagens, pesquisou bastante sobre a mitologia que iria usar, mas quando foi colocar tudo no papel, não conseguiu desenvolver tão bem assim.

     Em resumo, é um livro que tinha tudo pra ser incrível, mas foi uma grande decepção. Eu tentei arduamente gostar dele, mas não deu. Se o tradutor tivesse feito um trabalho mais decente ou se Dru fosse mais agradável, TALVEZ o livro fosse melhor. Mas, infelizmente, foi um mal começo para a série de Lili St. Crow; eu, pelo menos, dificilmente vou ler os outros quatro livros que seguem Strange Angels. Um livro da série já foi o bastante pra mim.


Capa brasileira, quase igual à original
(mas - ainda bem! - sem os dizeres de "Caçadora da Noite. Atiradora de Facas. Arrasadora de Corações")

4 comentários:

  1. Mila, o livro de todo não foi ruim porque teve uma utilidade na sua vida: exercitar sua capacidade de criticar negativamente. É o que tento pensar quando me deparo com uma leitura horrível e sem sentido.
    Mas olha, eu gostei da sinopse e da ideia no geral. Acho que vou me inspirar para escrever um conto! Uma pena a autora não conseguir escrever uma coisa legal, também vi muito potencial no enredo.

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  2. Assim como você, estava achando a sinopse bem legal e também me lembrou Supernatural, que eu estou assistindo nos últimos meses (com quatro eps por semana já cheguei na metade da quarta temporada, se bem que ultimamente estou preguiçosa para ver). Eu vi uma menção a zumbis ali e achei interessante também. Sinceramente, é uma pena que seja uma história tão mal contada. Já vi casos semelhantes com outros livros, até com alguns nacionais que me traumatizaram um pouco. De qualquer forma, concordo com a Celly, pelo menos essa leitura serviu para você "exercitar sua capacidade de criticar negativamente."
    Ah, gostei muito de ver essa sua crítica à tradução. Estou no último ano do cursinho de inglês e me interesso muito por leituras no idioma original. Até quando leio o livro em português costumo imaginar como seria tal frase na versão original haha.

    Beijos, Cris

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  3. Poxa vida. Eu fui lendo a sinopse e ficando empolgada. Nem sei porque... vc já tinha avisado que foi ruim. Hehehehe
    Parece que o escritor da sinopse foi melhor que a escritora do livro, infelizmente.
    Eu acho tradução um trabalho difícil e importante. Não pode ser mal feito, senão acaba com um livro que pode ser até bom (o que não é o caso desse, aparentemente).
    Bom, então... mais um livro riscado da minha lista. hehehehe

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  4. É incrível como isso acontece seguido! A gente lê uma sinopse interessante mas no desenvolvimento não cativa. Não basta ter ideias para ser um escritor, tem também de saber colocar as ideias no papel. Que pena!

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