quinta-feira, 30 de julho de 2015

Literatura em Movimento 03 - Julho

Oi, pessoal! Estou aqui, nos últimos minutos da prorrogação para trazer o tema de julho do projeto Literatura em Movimento. Lembra do projeto? Ele é organizado pelos blogs Café com LivroDa Literatura e Sacudindo as Palavrase o tema de julho é bem peculiar:


Esse deveria ser um tema fácil devido a sua amplitude, mas sempre tive problemas para escolher um tema em redações de tema livre – e agora esse trauma escolar volta a me assombrar.
Honestamente, não sei sobre o que escrever. Fui conferir sobre o que meus colegas de projeto escreveram, mas isso só piorou meu bloqueio criativo; os assuntos escolhidos por eles são todos muito pertinentes, mas não me “encaixo” em nenhum.
Não sofri com preconceitos, a não ser com o bullying clássico de escola – apelidos por usar óculos, ser gordinha e nerd –, mas não foram tão horríveis ou traumatizantes. Sempre fui uma “estranha no ninho”; sempre gostei mais de ler do que ir a festas, embora tenha ido a algumas (acompanhada pela minha mãe, mas isso nunca me impediu de fazer nada). Sempre fui aquela que ninguém dava muita bola até chegar o dia da prova – aí todos me amavam. Inexplicavelmente, sempre fui “popular” (se essa palavra pode ser sinônimo de “conhecida por todos”) e fazia parte daquelas panelinhas ridículas, onde pessoas mais populares tentam dizer aos outros o que fazer e o que pensar, mas nunca fui “na pilha” das tais “abelhas-rainhas”, por mais que eu quisesse ser aceita. Eu era parte do grupo, mas na verdade, não era. Nunca fui igual às minhas colegas: não fiquei com ninguém até os 15 anos, não bebia, não mentia para minha mãe, gostava de coisas que elas achavam irrelevantes (animações, livros, filmes, videogame e séries). Gostava de guris, é claro, mas eles não ocupavam tanto minha vida quando as vidas das minhas ditas amigas (embora eu estivesse sempre apaixonada por alguém).
Mas ninguém nunca me bateu (houve uma ou duas ameaças), tive muitos amigos – homens, especialmente –, e curti minha vida de adolescente nerd semipopular  sem grandes problemas, a não ser minhas ex-amigas de infância falando mal de mim no ônibus, berrando sobre como minhas roupas eram bregas ou meu cabelo era horrível. Vários amigos se ofereceram para fazer com que elas se calassem , mas eu não deixei; tinha pena delas, apesar da raiva: elas eram tão solitárias e imaturas que precisavam me diminuir e ridicularizar para se sentirem bem consigo mesmas. Isso é digno de pena, não é?
Sou hétero, caucasiana, classe média (baixa, claro). Não sou vítima de preconceitos. No máximo, sofro um pouco com o tal padrão de beleza surreal idealizado pela mídia, já que estou acima do peso. Conhece o padrão, né? Branca, olhos claros, cintura fina, cabelos lisos, seios e bumbum fartos, sabe? Não sou uma Barbie e nem quero ser. Não vou abrir mão dos meus doces (<3), pães, massas e ocasionais bolachinhas (sim, bolacha, porque sou gaúcha) porque devo ser magra, assim como não vou gastar meu pouquíssimo tempo livre enfurnada em uma academia.
Não que eu não ache que preciso emagrecer! Preciso, sim, mas por questão de saúde, não de estética. Tenho pressão alta e fibromialgia, então perder peso (massa, na verdade) seria bom para mim. Mas o “triste” é que, mesmo que eu perca os 10 kg que eu deveria perder, nunca me encaixarei no tal padrão Barbie; meu corpo não foi programado pra isso – costas largas, coxas grossas, braços gordinhos também.
Mas deixei de me importar com isso quando percebi que ser magra não me deixaria feliz; facilitaria a compra de roupas, talvez melhorasse minha autoestima quase nula, mas não me faria feliz.
Talvez seja sobre isso que eu queira falar: felicidade. O que é felicidade, afinal? Dicionários podem definir a palavra, mas quem sabe definir o sentimento? Até porque felicidade é um conceito muito relativo.
Nunca fui daquelas pessoas que acordam cheias de disposição (essa é a minha mãe), nem sou das mais bem-humoradas ou divertidas (dizem que sou engraçada, mas ainda não entendi por quê). Já beirei a depressão várias vezes e caí nela algumas. Depressão, ao contrário do que muitos pensam, não significa obrigatoriamente se trancar no quarto e chorar sem parar enquanto se afoga em chocolate e potes de sorvete. Depressão pode ser pior que isso; piorar que sentir essa tristeza, é não sentir nada. Quando vivenciei a tal, não sentia nada – nenhuma motivação de continuar, de lutar, de sair de lá. É como um dia nublado: não está bom nem está chovendo (que acarreta em uma melhora, no final), e tu não tens ânimo pra fazer nada. Até as coisas que tu mais amas parecem desinteressantes, mas dormir é bom, porque enquanto dormimos não precisamos encarar o cinza da vida ou fingir sorrisos. O cansaço de tudo, a falta de vontade e a desesperança te consomem até que só sobrem duas opções: acabar com tudo ou sair do poço.
Sair do poço sempre foi a única opção para mim, se não por mim, pela minha família. Aliás, ver minha família triste e preocupada em me ver tão sem esperanças é o que sempre me motiva a continuar, a evitar novas quedas no tal poço. Mas como sair de um lugar que tu entraste por não aguentar mais tua vida (ou alguma situação específica)? 
O melhor é sempre enfrentar o (s) problema (s) e encontrar um motivo que seja para continuar nadando (referência ruim de “Procurando Nemo”, não consegui evitar): ler um livro, escrever um romance ou assistir uma série, por exemplo, já me ajudam bastante, mas os objetivos podem ser maiores e mais “abstratos”, como comprar um carro, entrar naquele vestido lindo guardado no guarda-roupa há séculos, procurar (e encontrar) sua cara-metade, fazer um curso, SE encontrar.
Mudanças na vida também ajudam: sair da cidade por uns dias, trocar de emprego, mudar o visual, fazer uma tatuagem para simbolizar essa transição. Tudo é válido para se livrar do constante desânimo e falta de alegria.
E assim voltamos ao tema felicidade. Depois de passar por muitos altos e baixos (e frequentes “médios”), constatei que minha felicidade é ter um bom emprego, minha família me apoiando, amigos, contas pagas (de preferência em dia), meus pets, livros me cercando por todos os lados. Mas também aprendi algo mais bem importante: não preciso buscar uma felicidade constante e perpétua. Se eu tiver feito algo que me fez feliz e relaxada em algum momento do dia – dar risadas, ler um livro, assistir a um bom filme ou uns episódios de uma série, brincar com minhas gatas, comer um doce (<3) –, já dou o dia como ganho.
Afinal, no ritmo acelerado e exaustivo que vivemos hoje em dia, felicidade é poder sair do modo automático e da rotina para aproveitar aquilo que nos dá prazer, seja o que for.


(Menos torturar pessoas, depredar propriedade de terceiros, roubar, matar... Essas coisas não podem, tá?)

Os blogs participantes deste projeto são:

4 comentários:

  1. OI Camila, lendo seu texto parecia que estava lendo uma biografia de mim... fui exatamente igual a vc em quase tuuudo. só não tenho um emprego bem sucedido ainda, e não sou gaucha. Mas como pessoa criada em Sao Paulo tbm falo bolacha. Também fui "popular" relativamente, mas não era de nenhum grupo, e meus amigos no colégio eram sempre os meninos, até hoje ainda me dou Bem com Eles mais que com as meninas... E Logico sou Hétero, e passo pelo mesmo problema do estereótipo da mídia quanto a figura física. E sobre a Depressão, igualzinha, mas ninguém nota, e acho que isso me ajuda a entrar e sair dela sem que percebam. E pra esquecer os meus problemas eu bebe.... rsrsrsr Mentira vejo uma temporada inteira de alguma série de ficção. Identifiquei-me muito com seu texto.
    Um Abraço.
    ♥♥♥ Amantes de Jane Austen ♥♥♥ | Amantes de Jane Austen no FB

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  2. Oi Camila, adorei sua postagem...o tema do mês foi um tanto quanto complexo pra mim e não consegui desenvolver nada...fora a correria aqui.

    Parabéns pelo texto, super me identifiquei contigo!

    Beijokas da Quel ¬¬
    http://literaleitura2013.blogspot.com.br/

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  3. Oi!
    Gostei muito da sua escolha. Durante minha infância e adolescência fui bem como você, nem demais, mas também não de menos. Nerd esquisita, mas amada em dias de provas. Inteligente, respeita e sacaneada. Também não acordo cheia de disposição, mas procuro aproveitar bem o dia. Faço muita merda, muitas sem nem pensar. Preconceito... bem, atualmente sofro um pouco por causa da surdez, mas já relevei tanto que nem me estresso mais. Ficar surda com quase 30 anos foi uma p*ta guinada na vida, que me deixou bem próxima da depressão. Parabéns pelo texto, foi muito bem escrito.
    Até + ver! Nu.
    As 1001 Nuccias | Curtiu?

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  4. Oi!
    Exceto por alguns poréns, me identifiquei MUITO com seu texto. Claro, nunca fui popular, e sofri sim bullying, mas fora isso e o emprego bem sucedido, sou eu escrita. Na versão São Paulo, rs.
    Sempre achei que sofria de depressão, mas ficava aquela dúvida...aqui em casa acham que sou preguiçosa, dentre outras coisas, por não ter aquele ânimo em fazer as atividades do dia a dia. Eu me esforço, juro, mas cada dia parece igual ao anterior e vira um ciclo vicioso. O fato de estar desempregada há um tempão, e por mais que eu faça (já estou na metade de uma segunda graduação, e nem estágio encontro), não me sinto útil. É como se minha existência fosse um desperdício de tempo e espaço. Nem pelos animais, que tanto amo, consigo fazer algo de fato. O que, por sua vez, me deixa ainda mais frustrada. Para você ter ideia, até casar eu casei, com a intenção de mudar de país e achando que tudo mudaria para melhor, mas foi ainda pior e agora estamos tentando nos divorciar.
    Enfim, não quero deixar ninguém deprê, mas em alguns dias é muito difícil essa sensação de não sentir nada, de sentir o coração fechado e pesado. Queria muito superar tudo isso e viver a vida plenamente. Se você souber de algo que possa ajudar, sou toda ouvidos.
    Beijos.
    www.historiamuda.com.br

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