domingo, 10 de maio de 2015

[Rresenha] Brasil Fantástico - Primeira Maratona Literária

Sábado passado, dia 02/05, participei da primeira Maratona Literária do blog Me Livrando – a ideia era simples: ler o máximo possível durante aquelas 24 horas. Eu juro que meu objetivo era não dormir e não fazer nada além de ler, mas tive algumas responsabilidades da vida adulta a cumprir (comprar comida, arrumar a casa...) e dormi um pouquinho também. Mesmo assim, consegui me divertir bastante com a interação com os outros leitores, além de ler um livro do início ao fim, e é sobre ele que vou falar nesse post.

Encontrei Brasil Fantástico – Lendas de um país sobrenatural entre os livros “gratuitos” do Kindle Unlimited (estou no mês grátis desse recurso da Amazon) e a sinopse me chamou a atenção: contos sobre folclore brasileiro! Ando interessada pelo assunto desde que, há uma ou duas semanas, comentamos no CAF (Clube de Autores de Fantasia) sobre escrever contos com essa temática; então, quando li a tal sinopse, baixei o livro na hora.

Pois bem, o livro tem um prefácio bem legal do André Vianco – autor nacional conhecido por suas obras vampirescas, como Os Sete e O Vampiro-Rei – e conta com onze contos que visitam o imaginário popular do nosso país do Boitatá ao Saci, do Curupira à Iara. Os contos são vendidos juntos (na forma coletânea, como eu li) ou separadamente; se tu clicares na capa de cada conto, tu vais direto pra página dele no site da editora Draco, onde tu podes encontrar os links para comprá-los!
Gostei bastante de todos os onze contos, mas o meu favorito mesmo foi o primeiro, escrito por Christopher Kastensmidt (que é meu amigo no Facebook e, mais importante, um dos organizadores da Odisseia de Literatura Fantástica aqui em Porto Alegre). A ideia central de A Copa dos Mitos é simples, mas genial: como seria um embate entre os principais mitos do mundo? Será que nossos seres mitológicos são páreo para os gregos, nórdicos ou egípcios? O resultado desse embate é um conto leve, divertido e muito bem escrito. Dei nota 4 / 5.
O segundo conto, O Filho da Mata, de Andréia Kennen, fala sobre o encontro de um rapaz tido como afeminado com um curupira forte e sedutor. A história é bem escrita e dei 3/5, porque ela demorou um pouquinho pra me arrebatar, o que também aconteceu com Entre conspirações e monstros mitológicos, de João Rogaciano, o terceiro conto.
Este se passa em Portugal na época em que Sissi, a Imperatriz da Áustria, passou um tempo na Ilha da Madeira convalescendo de uma doença. O narrador é um investigador que é contratado para descobrir quem (ou o que) anda trocando objetos de lugar (e por vezes sumindo com eles) em uma grande vinícola – e dizem que o culpado é o Cavalum português e/ou o Boitatá trazido do Brasil. Mas isso é só a ponta do iceberg, e eu não citei Sissi só porque os filmes sobre a vida dela estão entre os favoritos da minha adolescência. O conto quase levou 2,5 por demorar pra chegar na parte mais emocionante, mas o final elevou a nota a 3,5.
O conto de A. Z. Cordenonsi, A Mula do Cavaleiro Neerlandês, já me conquistou por se passar no Rio Grande do Sul e misturar uma história clássica da ficção dos Estados Unidos com um mito brasileiríssimo. Não vou dar mais detalhes pra não estragar a história, mas assim que vi o nome do personagem americano, já fiquei empolgada e meio que imaginei o que aconteceria no final – e meio que acertei, mas a ideia foi ótima. 3,5 de 5 e um parabéns pelo protagonista, que é muito legal de acompanhar.
Amaldiçoado, do Allan Cutrim, conta a história do caçula de 8 filhos e único menino. Como se ter um nome cujo apelido é “Maledi” e um pai violento já não fosse ruim o suficiente, ele ainda se envolve com os mitos do nosso folclore... Apesar de um pouco previsível, gostei bastante do conto, que recebeu 4/5 pela idéia, inserção da mitologia indígena e pela boa escrita.
A sexta história, de Mickael Meneghetti, tem o título de Brasil: Terra Amaldiçoada e narra as aventuras nada agradáveis de uma expedição espanhola anterior a Cabral, que se aventurou pelo Rio Amazonas e se deparou com os terríveis protetores das margens do Rio. Dei 3/5 pra este também.
A Sacola da Escolha, de Maria Helena Bandeira, levou 4/5 só porque o final me deixou um pouco confusa, mas o desenvolvimento é ótimo! Um jovem caboclo é levado em uma jornada transformadora pelo mundo dos Encantados – seres clássicos do folclore brasileiro e da mitologia indígena. Apesar de contar com diversos elementos – de iaras a Saci –, a história é muito coesa e é, sem dúvidas, uma das minhas favoritas.
As histórias continuam com A Voz de Nhanderuvuçú, de Marcelo Jacinto Ribeiro, que se passa num cenário dieselpunk pós Segunda Guerra Mundial e dá uma nova roupagem ao seres fantásticos do nosso folclore. Um grupo inglês descobre uma jazida de minérios no meio da floresta e nem com todo seu poder e tecnologia é páreo para o que os espera. A ideia foi ótima e bem criativa, mas achei a narrativa um pouco lenta, e por isso dei 3/5.
A Bruxa e o Boitatá, de Vivian Cristina Ferreira, conta a história de uma menina nascida em Florianópolis, a Ilha da Magia, mas que se mudou com seus pais e 6 irmãs mais velhas logo quando era criança. Apesar de ninguém na família explicar o porquê da mudança e nem mesmo tocarem no assunto, ela precisa ir a sua cidade natal a trabalho e é confrontada pela verdade – em forma de bruxas e seus boitatás. O conto é bem legal e bem escrito, e também levou 3,5/5
O penúltimo conto, O Rapaz Misterioso, escrito por Renan Duartel, explica como as crendices se tornam fatos e dá sua versão bem violenta e sombria do nosso Boto. Nota de 4/5, mas não leia se não gostar de um pouco de sangue!
Finalmente, O Padre, o Doutor e os diabos que os carregaram, de Antonio Luiz M. C. Costa levou 4,5/5, por ser muito bem escrito e criativo. O último conto fala de um médico e um padre que vão conhecer os caaporas nos idos de 1592, mas nada sai como o esperado – e nada é o que parece. A melhor parte da história, pra mim, foram os debates religiosos entre o médico e o padre, e isso contribuiu bastante para a boa nota.


Em resumo, essa antologia foi um adorável achado e é uma ótima pedida para todos que, como eu, se interessam por histórias fantásticas e que querem conhecer um pouco mais sobre a nossa própria cultura. 

2 comentários:

  1. Deu até vontade de ler, incrível como nós conhecemos pouco nossas próprias lendas (eu, por exemplo, conheço 1000x mais sobre mitologia nórdica, grega, romana e egípcia)

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    1. Leia mesmo, Alexia!! Também sei muito pouco sobre a nossa cultura, lendas e mitos, mas estou começando a conhecer melhor graças a livros como este! Os contos são relativamente curtos (li no aplicativo da Amazon, então não tenho muita noção de quantas páginas!) e bem interessantes! Foi uma ótima leitura!

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