terça-feira, 21 de abril de 2015

[Resenha] Sangue dos Deuses, Michel Duarte

Sangue dos Deuses

Autor: Michel Duarte
Editora: Catavento / Amazon
Número de páginas: 262
Nota da Cami: 5/5
Livro 1 na série de mesmo nome


Loki, o Trapaceiro, conseguiu finalmente se livrar da prisão para onde Odin – o Pai de Todos, Senhor dos Aesir – o enviou como punição pelo assassinato de Baldur, deus amado por todos os seres. Livre e enraivecido, o Senhor do Caos está pronto para iniciar o Ragnarök – o Apocalipse dos Deuses. Apesar dos Aesir – grupo de deuses “dominantes” – estarem presos ao destino e não poderem fazer nada para impedir que o ciclo se complete e Loki inicie o fim dos tempos, Odin usou uma runa mágica muito poderosa e isolou Asgard (lar dos deuses) e Helheim (reino comandado pela filha de Loki, Hella, e habitado pelos que morrem sem glória) dos outros 9 mundos de Yggdrasil, pois são esses dois que se enfrentam no Apocalipse nórdico. Mas a runa usada nesse encantamento se partiu em três após ser usada e, uma vez reunida, o véu que separa os mundos será rompido e Loki poderá cumprir seu destino e trazer o Caos. Pois então Loki reúne aqueles que lhe são fiéis e parte em busca das três partes da runa e, para que ninguém possa se colocar em seu caminho, ordena que o último clã da raça dos heróis (humanos com sangue dos Aesir) seja exterminado.
Yggdrasil (e os Nove Reinos) por Seless
É aí que entra em cena Katherine, a mais nova dos descendentes da Valquíria Brunhild e do herói Siegfried. Ela não sabia, mas sua herança meio divina meio mortal (e o extermínio de sua família) faz dela a única que pode atrapalhar os planos do Arquiteto do Ragnarök, pois, ao contrário dos deuses, ela possui o livre-arbítrio necessário para modificar o destino e impedir o fim do mundo. Ao ver sua família assassinada, a menina jura vingança e, ao lado de um príncipe élfico leal a sua família, o líder por direito dos Beserkers (similares a lobisomens) e dois Aesir caídos, Katherine precisa aprender a dominar seus talentos latentes para poder fazer frente ao Trapaceiro.
Babydoll, interpretada por Emily Browning, é como Michel idealizou sua Katherine
Ok, essa é, basicamente, a trama de Sangue dos Deuses, livro escrito pelo autor nacional Michel Duarte. Não conheço a mitologia nórdica tão bem quanto conheço a grega, a romana ou a egípcia, mas me parece que Michel transportou maravilhosamente bem os mitos clássicos para sua história. Outro ponto forte do livro é a descrição de cenas de batalhas! Confesso que invejei um pouco a habilidade do autor ao descrever lutas e criar discursos inspiradores pré-combate. Mas o que eu mais gostei mesmo foi o humor e as breves menções à realidade nerd: Katherine descreve um local como “maior por dentro do que por fora” – frase classicamente usada pelos companions em Doctor Who para descrever a TARDIS – e chama o príncipe dos elfos claros de “Dobby”, dizendo que ele é “um elfo livre”, como o elfo-doméstico em Harry Potter. Adoro quando livros fazem menções a livros, séries, filmes e quadrinhos!

Além disso, o estilo de escrita do autor é leve e envolvente, equilibrando momentos de humor com outros mais sérios e até mesmo uns mais tristes – sim, porque Michel não tem muitos problemas em matar personagens! E ele tem muito mais habilidade do que eu em explicar mitos nórdicos de maneira clara e concisa.


Loki de Tom Hiddleston porque ele ficou perfeito como o Deus da Trapaça
Os personagens são bem construídos e bastante “diversos”: temos Aesir, Vanir, elfos claros, elfos escuros, gigantes, anões... É raça que não acaba mais nessa mitologia nórdica! Mas vamos focar nos protagonistas. Apesar deles serem um pouco dicotômicos (ou bons ou maus), todos eles me cativaram logo de cara. Katherine é meio cabeça-quente e não tem muita paciência para politicagem, lembrando muito as personagens “bad ass” que eu gosto tanto, e ela não fez nenhuma burrice motivada pela sede de vingança! O vilão, Loki, mantém suas características mais marcantes da mitologia: ele é manipulador, estrategista e inteligente, o que faz dele quase invencível. Quase. Mas meus personagens favoritos são o príncipe élfico Altamir e sua mãe, a deusa solar Sunna, que é uma rainha clássica: gentil, forte e sábia, enquanto seu filho é um guerreiro hábil, mas ainda bondoso – até um pouco demais. Tá, eu gosto bastante do Erick também, com sua luta por recuperar a liderança dos Beserkers que lhe foi usurpada pela assassina Gandr.



Enfim, a trama é muito bem construída e o único defeito são alguns erros de digitação aqui e ali, mas que não são culpa do autor nem atrapalham de forma alguma a leitura. Então, se você gosta de aventura, ação e mitologia, vá agora garantir sua cópia de Sangue dos Deuses

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