terça-feira, 14 de abril de 2015

[Resenha] Sangue na lua e outros contos, Sheila Schildt

Oi, pessoal! Conheci este livro incrível da gaúcha Sheila Schildt através do Projeto Livro e, para quem gosta de terror e suspense como eu, esta antologia é um prato cheio! Os onze contos me fizeram arrepiar os pelos da nuca – o que, obviamente, é o intento de contos de mistério como esses. A autora tem um talento incrível para manter o suspense até o momento certo, o que é imprescindível para fazer o leitor roer as unhas de curiosidade (o que eu fiz, de fato). 




Título: Sangue na Lua e outros contos  
Autora: Sheila Schildt 
Editora: Alcance 
Ano: 2014 
Páginas: 112 
Gênero: contos, terror, suspense 
Nota final da Cami: 4/5 


Três dos contos são mais tocantes e inquietantes por mostrarem o lado mais macabro do ser humano, o que é muito mais assustador do que aliens ou zumbis. Destes três, Um (algumas vezes verdadeiro) Conto Natalino e Pedro e o Lobo são narrados pelo ponto de vista de crianças que sofrem com a pobreza e maus-tratos, retratando uma realidade que, como a autora mesmo diz, muitos de nós fingimos que não existe. O que pode ser mais angustiante que crianças perdendo sua inocência? A única crítica que eu poderia fazer a esses dois contos em especial é que os dois têm um vocabulário muito parecido, com expressões que aparecem algumas vezes em ambos para ressaltar sua pouca idade.

O terceiro desses contos – Eram Almas Gêmeas – mostra o drama de uma mulher abusada pelo marido e a autora foi extremamente eficiente em passar a dor, a humilhação, o desespero e o conformismo da protagonista. Devo dizer que me senti tão mal e ultrajada pelo que acontecia a ela quanto me senti pelos sofrimentos das crianças. A violência e a falta de esperança mostradas nesses três contos são tão bem descritas que até fiquei um pouco triste após lê-los – um elogio à escritora.

Mas não é só de tristeza e tensão que se faz o livro. Não mesmo. O primeiro dos contos – A Casa – mostra os terrores que se pode encontrar em uma casa abandonada, e na sequência já nos deparamos com a visão da Sheila sobre o “apocalipse zumbi” em A Porta, não tão violeta mas tão assustadora quanto os filmes e livros clássicos do gênero. Em Os Sem Nome e em A Colônia temos um cenário meio pós-apocalíptico, onde a humanidade volta a hábitos primitivos, enquanto no conto Escuro seguimos um homem aterrorizado e fugindo “Deles” (ou não?). O Livro parece se passar em algum tempo onde bailes elegantes eram comuns, mas eles não são nosso foco, mas sim o misterioso livro que a protagonista recebe de herança.

Para o final, deixei o conto que tem destaque no nome do livro e aquele que, segundo a autora conta no seu prefácio, foi escrito depois de um sonho e foi a necessidade de transformar tal sonho em história que a fez sentir como uma escritora de verdade. Pois bem, Sangue na Lua é um conto triste e macabro, que resume bem o tom do livro em si, o que me faz acreditar que o destaque no título não foi ao acaso e foi uma ótima escolha. A história é simples e, embora não seja surpreendente em si, é escrita de maneira envolvente e tem ares de conto dos irmãos Grimm (na versão original, claro).

O último conto, apesar de não ser meu favorito, merece meu respeito. Quando eu era professor na Escola Rainha Elizabeth para Meninas tem um título bem autoexplicativo e mostra os terrores escondidos nos corredores da Escola. Por que ele não é meu favorito? Só porque passamos mais tempo acompanhando o narrador do que descobrindo e enfrentando o “mal”. Não que as explicações do narrador não sejam úteis, mas, ansiosa como sou, gostaria de ter chegado um pouquinho mais rápido na “parte que interessa”. Outra coisa é que a autora usa um vocabulário rico em todos os contos, mas neste – por ser uma história passada numa época passada – ele é ainda mais, o que pode parecer um pouco demais. Novamente, não é um erro ou um problema (adoro ler um texto mais elaborado!), mas deixou o texto um pouco cansativo. 

Enfim, minha opinião geral sobre a antologia não poderia ser mais positiva; recomendo Sangue na Lua e outros contos a todos aqueles que gostam de sentir aquele frio na espinha que só bons e poucos autores sabem causar – e Sheila certamente consegue.

Um comentário:

  1. Olá Camila, tudo bem? Gostei muito da sua resenha e achei interessante a forma como você consegue dar uma geral no livro sem spoilers ao mesmo tempo em que comenta os pontos de cada conto, incluindo os seus favoritos. Parabéns.

    Quanto ao livro, meus contos favoritos são Eram almas gêmeas, O Livro e Um (algumas vezes verdadeiro) conto natalino mas também gosto muito de Pedro e o Lobo e A Colônia. Enfim, todo o livro é bom de modo geral. Acho interessante como alguns contos tem uma conexão temática entre em si mostrando o horror da crueldade humana.

    Bom, encerro aqui meu comentário parabenizando você mais uma vez pela resenha e te fazendo para ouvir o Leituracast 13, o episódio do podcast que apresento em que falamos sobre o livro. Aguardo sua visita e comentário até lá...bj

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