terça-feira, 24 de março de 2015

[Resenha] O Beijo das Sombras, Richelle Mead

Oi, pessoal! Quando eu estava na faculdade, lá pelos idos de 2007, encontrei os livros da Richelle Mead e me apaixonei. Li, em inglês, “Vampire Academy” e a série da Georgina Kincaid, a Succubus. Ambas as séries não estavam completas na época e, quando fui ler os livros novos, me dei conta de que não lembrava de nada. Pouco depois, o que aconteceu? Submarino, um dos meus grandes amores, fez uma promoção daquelas e comprei os 6 livros de Academia de Vampiros (em português dessa vez) por menos de 60 reais. Eles (e mais alguns amiguinhos) chegaram no início do mês e comecei a ler o primeiro livro da série, O Beijo das Sombras, na segunda-feira (dia 16/03) pensando em ler um pouquinho por dia ao longo da semana. Claro que acabei lendo metade num dia, metade no outro. Não, não tenho autocontrole, mas esse é assunto para outro dia. Agora estou aqui para falar um pouco sobre o livro que começa a contar as aventuras de Rosemarie Hathaway, uma dhampir [na versão brasileira, traduziram para "damphiro", o que eu achei que soa mal; por essa razão, vou solenemente ignorar a tradução] e guardiã de sua melhor amiga, a princesa Moroi Vasilisa Drogomir.



Título: O Beijo das Sombras 
Autora: Richelle Mead
Tradutora: Inês Cardoso
Editora: Nova Fronteira
Edição: Econômica
Páginas: 320
Ano: 2010
ISBN: 9788520923375
Gênero: YA, sobrenatural, vampiros, fantasia
Livro #01 na série Academia de Vampiros



Sinopse: Lissa Dragomir é uma adolescente especial, por várias razões: ela é a princesa de uma família real muito importante na sociedade de vampiros conhecidos como Moroi. Por causa desse status, Lissa atrai a amizade dos alunos Moroi mais populares na escola em que estuda, a São Vladimir. Sua melhor amiga, no entanto, não carrega consigo o mesmo prestígio: meio vampira, meio humana, Rose Hathaway é uma Dampira cuja missão é se tornar uma guardiã e proteger Lissa dos Strigoi - os poderosos vampiros que se corromperam e precisam do sangue Moroi para manter sua imortalidade. 
Pressentindo que algo muito ruim vai acontecer com Lissa se continuarem na São Vladimir, Rose decide que elas devem fugir dali e viver escondidas entre os humanos. O risco de um ataque dos Strigoi é maior, mas elas passam dois anos assim, aparentemente a salvo, até finalmente serem capturadas e trazidas de volta pelos guardiões da escola. 
Mas isso é só o começo. Em O Beijo das Sombras, Lissa e Rose retomam não apenas a rotina de estudos na São Vladimir como também o convívio com a fútil hierarquia estudantil, dividida entre aqueles que pertencem e os que não pertencem às famílias reais de vampiros. São obrigadas a relembrar as causas de sua fuga e a enfrentar suas temíveis consequências. E, quem sabe, poderão encontrar um par romântico aqui e outro ali. Mais importante, Rose descobre por que Lissa é assim tão especial: que poderes se escondem por trás de seu doce e inocente olhar? 
Richelle Mead dá uma nova face à literatura vampiresca com este romance: mais ácida, apimentada e inteligente do que nunca, a saga dos Moroi e seus guardiões surpreende pelas reviravoltas e pela ousadia desses cativantes personagens. 

Vou começar com uma explicação “mitológica”, e prometo ser o mais breve possível. Richelle Mead se baseou nas lendas russas e romenas para criar os seus vampiros, por isso temos três grupos principais de personagens: dhampir, Moroi e Strigoi. Dhampir são resultado da “união” entre um Moroi e um humano, o que gera um ser com sentidos aguçados como os de um vampiro, mas mais resistentes, fortes e sem a necessidade de beber sangue ou restrição à luz do sol. Isso os torna uma excelente escolha para proteger os Moroi, que são os vampiros vivos – eles se alimentam tanto de sangue quanto de comida normal, têm domínio sobre os elementos e seguem um sistema bem aristocrático de governo, revezando o poder entre 12 famílias mais nobres. Dessas famílias, o representante mais velho se torna príncipe (ou princesa). Os Moroi consideram que sua magia serve apenas para ajudar, então não podem usá-la para se defender dos ataques dos Strigoi, tornando os guardiões essenciais, pois os vampiros mortos-vivos (que são imortais e não têm mais sentimentos ou magia) se tornam ainda mais fortes e quase indestrutíveis quando se alimentam do sangue de um Moroi.

Pronto, agora vamos para a história em si. O livro começa com Rose e Lissa (apelidos pelos quais as protagonistas preferem ser chamadas) vivendo no mundo dos humanos, em Portland, onde a Moroi está tendo mais um de seus pesadelos com o acidente ao qual ela e Rose sobreviveram, mas que matou seus pais e irmão. Logo em seguida, somos apresentados a um dos mais fortes preconceitos do mundo criado por Richelle: Rose deixa que Lissa se alimente de seu sangue, o que é visto como algo horrível pelos Moroi e outros dhampir; algo que apenas mulheres dhampir sem nenhum respeito por si mesmas fazem (especialmente durante o sexo, o que dá a elas a alcunha de “prostitutas de sangue”). Obviamente, Rose se oferece como fonte de sangue para manter Lissa viva e saudável, o que se encaixa muito bem com seu papel de guardiã. Mas o problema é que Rose sabe que está praticamente viciada no “barato” que a mordida dos Moroi dá (efeito da saliva deles, que libera endorfinas e dá uma sensação de prazer em suas vítimas). Naquele dia, porém, o efeito secundário da mordida – a fraqueza pela perda de sangue –, gera um problema bem maior: elas foram encontradas pelos guardiões da Escola São Vladimir e, sem a força e engenhosidade de Rose, elas são capturadas e levadas de volta à escola de onde fugiram um ano antes. Não que a dhampir não tenha (inutilmente) tentado lutar com o líder dos guardiões, um belíssimo russo e guardião muito renomado que ela vem a descobrir depois se chamar Dimitri Belikov.
De volta à escola, elas precisam lidar com toda a pressão social, alguns inimigos, rapazes e ainda têm que estudar muito para alcançar o resto da turma, já que ficaram longe por um ano. Rose é quem sofre mais, pelo menos fisicamente, pois apanha tanto dos outros dhampir aprendizes durante as aulas quanto de Dimitri Belikov, que aceitou ser seu mentor para ajudá-la a compensar os meses parada com muitos treinos extra.
É claro que há mais problemas, pois houve um motivo para as duas terem fugido da escola e, agora que estão de volta, o tal motivo reaparece. Não vou nem dar pistas do que é por não querer arriscar deixar um spoiler escapar, mas tem a ver com a sanidade e bem-estar de Lissa – o que, obviamente, é a maior preocupação de Rose.

Certo, chega de resumo. Vou deixar que você descubra o resto da história por si mesmo e vou apenas fazer minha análise sobre escrita, trama e personagens.
Bem, eu gosto bastante do estilo de Richelle Mead, com um texto leve e descontraído, que se permite até alguns palavrões, o que não me incomoda nem um pouco e acho que confere uma certa dose de realidade aos diálogos (quem aí nunca disse um palavrão?!). A propósito, a tradução também foi bem satisfatória, embora o revisor tenha deixado passar dois ou três erros que eu imagino que tenham sido de digitação – nada grave, no entanto.
A trama tem fortes influências teen, focando um bom pedaço do livro em temas comuns a essa fase: relacionamentos amorosos, dinâmica social na escola, preocupações com aparência e opinião alheia. Pelo que lembro da série, os livros vão amadurecendo com as personagens, e o foco muda um pouco. Mas, de qualquer forma, temos mais que vampiros adolescentes numa escola. Há uma pitada de crítica social por meio da crítica à sociedade hipócrita dos Moroi e dhampir, um bom debate sobre preconceito e as protagonistas dão um belo exemplo de amizade. Temos romance também, porque ninguém é de ferro; e são romances proibidos, por um motivo ou por outro. Um tem um “final feliz” (entre aspas porque nada é garantido, já que é apenas o primeiro livro da série) e outro não (ou pelo menos, não ainda). Ah, sim, o livro também apresenta um punhado de surpresas e reviravoltas!
Agora, os personagens. Como já falei no meu TOP 5 (que foi, na verdade, um TOP 6) do dia da mulher, Rosemarie Hathaway é uma das jovens mais duronas que já vi nos livros. Ela é uma excelente lutadora, extremamente fiel a sua melhor amiga e disposta a abrir mão de qualquer coisa MESMO pelo bem-estar e proteção de Lissa. Além disso, Rose é sarcástica, ciente de sua beleza, teimosa e em processo de amadurecimento – processo esse, motivado pela convivência com Dimitri e o desejo de ser uma guardiã melhor para Lissa.
Falando nela, Lissa é uma menina doce, bondosa e preocupada com os outros, que confia cegamente que Rose pode mantê-la a salvo. Não vou entrar em detalhes sobre o quão poderosa ela é, mas... Sim, ela é muito mais do que uma princesa Moroi tentando representar sua família (da qual ela é a última representante) da melhor forma possível.
Tirando as duas protagonistas, temos alguns rapazes importantes; como já falei um pouco do Dimitri, vou focar no meu segundo Moroi favorito deste livro (sim, Lissa é minha favorita): Christian Ozera. O rapaz vem de uma família importante e tudo o mais, mas seus pais fizeram uma coisa terrível e todos na escola o ignoram/temem... Até que ele se encontra, por acaso, com Lissa Dragomir e os dois começam uma amizade que logo se transforma em algo mais. Por que eu gosto dele? Porque ele domina a magia do fogo (como as personagens do meu livro o/) e porque ele é a favor dos Moroi usarem seus poderes para lutar ao lado de seus guardiões contra os Strigoi ao invés de usar seus dons apenas para coisas “boazinhas”. Ele é um personagem mais “profundo”, cheio de coisas a nos mostrar ao longo da história.

Bom, gente linda do meu coração, vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado da minha resenha e que leiam O Beijo das Sombras e todos os livros da série Vampire Academy – digo, Academia de Vampiros. Eu vou ler e, é claro, colocarei as análises dos outros cinco volumes aqui o mais breve possível!! Hasta la vista ;)

Um comentário:

  1. Adorei! Muito bem explicado! Até me deu vontade de ler esse tipo de livro!
    Parabéns pelo blog!
    bjsd

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